TRIBUNA de Mark Heslop e Mark Nichols, Gestor de ações europeias growth na Jupiter AM. Comentário patrocinado pela Jupiter AM.

Resumo

Pedimos aos nossos leitores nos enviassem questões para colocarmos a Mark Nichols e Mark Heslop, gestores do fundo European Growth Strategy. Que empresas estão a beneficiar das alterações nos hábitos de consumo provocadas pela COVID? A inflação pode voltar a ser uma ameaça? Como reconhecem empresas de grande crescimento (growth)? Continue a ler para descobrir a resposta a estas e outras questões.

P: Na vossa opinião, quais são as principais alterações permanentes, se existirem, no comportamento dos consumidores provocadas pela pandemia? Como é que os investidores podem beneficiar das mesmas em termos setoriais ou temáticos?

R: Acreditamos que ainda é cedo para dizer se as alterações observadas no consumo vão ser permanentes. Contudo, acreditamos que a pandemia veio acelerar substancialmente o ritmo do comércio eletrónico e pode estar a redefinir muitas atividades de lazer, incluindo a uma escala tão pequena quanto o aumento no consumo de cocktails no domicílio, nos Estados Unidos. Podemos mencionar a Adidas como exemplo de uma empresa que definiu o caminho a seguir em termos de digitalização para melhorar as suas atividades e vendas, uma vez que passou da sua associação com o comércio tradicional para o investimento nas suas próprias lojas, páginas web e aplicações e, assim, criar uma maior barreira face à sua concorrência. 

De forma mais geral, acreditamos que provavelmente a pandemia acelerou algumas tendências de crescimento de longo prazo. Por exemplo, o crescimento dos serviços bancários online foi claramente impulsionado pelo teletrabalho, os governos estão a antecipar investimentos na economia verde como estímulo à atividade e as empresas líderes provavelmente vão acelerar os seus planos de digitalização e automatização de processos.

   Oportunidades de crescimento a longo prazo* 

P: O que pensam do atual debate sobre uma possível reativação da inflação? Isso poderia alterar a composição da vossa carteira?

R: A desaceleração acentuada da economia mundial criou um excesso de capacidade enorme nos mercados e, com isso, grandes obstáculos à inflação. Enquanto os consumidores e as empresas se mantiverem renitentes em contrair dívida e consumir, teremos um mundo dominado por pressões deflacionistas, o que, juntamente com o aumento da dívida, faz com que o ambiente de baixo crescimento não desapareça. Este cenário poderia alterar-se caso os governos optassem por programas de estímulos de grande dimensão e bem sustentados e instassem os bancos centrais a estarem sujeitos à política orçamental. Continuamos a procurar empresas em expansão que sejam excelentes e que tenham poder de fixação de preços, independentemente das pressões inflacionistas que a economia possa sofrer.

P: As empresas de grande crescimento (growth) são escassas. Que qualidades procuram numa empresa?

R: Procuramos sempre empresas que tenham vantagens competitivas sustentáveis, poder de fixação de preços e presença em áreas com crescimento estrutural (e não cíclico) e, outro aspeto muito importante, empresas que sejam capazes de reinvestir os excedentes de tesouraria disponíveis a uma taxa de rentabilidade elevada. Estas empresas de grande crescimento (growth) são poucas, mas existem. Na nossa opinião, os mercados acionistas têm dificuldade em dar o mérito a estas empresas devido à sua tendência inerente de curto prazo. Nós exploramos essa ineficiência existente nos mesmos mercados. Não existem filtros simples para o fazer. Trata-se de uma abordagem qualitativa que requer grandes doses de análise e estudos pormenorizados: falar com a equipa de gestão, os clientes e os concorrentes, criar os nossos próprios modelos, etc.

                                       Fontes de vantagens competitivas*

As fontes de vantagens sustentáveis que permitem o poder de fixação de preços a longo prazo podem ser encontradas em muitas áreas: a lealdade à marca, os direitos de propriedade intelectual, um ciclo virtuoso em forma de rede em expansão, informações exclusivas, um produto inovador ou economias de escala em termos de produção e distribuição. Em última instância, procuramos empresas cujos produtos sejam diferenciados e valorizados pelos clientes.

Expomo-nos a uma vasta gama de tendências de crescimento estrutural. A evolução demográfica pode traduzir-se num envelhecimento da população nas economias ocidentais mais maduras, que estimule a procura por cuidados de saúde, mas também significa uma maior proporção de jovens nos países emergentes que desfrutam de uma melhor qualidade de vida. São estas tendências que sustentam a procura a longo prazo por cosméticos, lentes especializadas, licores de marca e produtos de luxo. L’Oreal, EssilorLuxottica, Pernod Ricard e LVMH são quatro empresas em expansão, conhecidas mundialmente e que beneficiam destas tendências. O crescimento da digitalização também está a permitir que algumas empresas, como a Edenred e a Experian, desenvolvam as suas próprias redes com poucas necessidades de capital, para dominar nichos na área dos benefícios para funcionários das empresas e serviços de crédito. Ao mesmo tempo, a procura por uma maior eficiência energética nos edifícios estimula a utilização dos materiais de isolamento da Kingspan.

P: No vosso processo de investimento e seleção de ações, qual é o fator qualitativo mais importante na hora de excluir uma empresa dessa seleção?

R: Tentamos evitar empresas que tenham produtos que não são diferenciados e que não tenham um poder de fixação de preços sustentável. O nosso objetivo é investir em empresas de grande crescimento (growth) que sejam líderes setoriais hoje e que assim permaneçam durante décadas. Vamos imaginar que uma empresa entra na nossa seleção prévia de possíveis candidatos: a avaliação da qualidade da equipa de gestão e da administração é determinante.

P: Como integram os fatores ESG no vosso processo de investimento?

R: A identificação de fatores de risco ESG é fundamental para percebermos a competitividade das empresas a longo prazo, na qual assenta a nossa filosofia de investimento. Concentramo-nos na sustentabilidade dos modelos de negócio, o que engloba fatores ambientais e sociais relevantes. Trabalhamos diretamente com a nossa equipa ESG antes de investirmos e durante o período em que mantemos as ações de uma empresa em carteira. Exercemos ativamente os nossos direitos de voto enquanto acionistas e estabelecemos um diálogo direto com a equipa de gestão em aspetos-chave, no sentido de conseguirmos melhores resultados para todas as partes interessadas, e não investimos em empresas sobre as quais tenhamos dúvidas substanciais acerca do impacto a longo prazo dos riscos ESG. Também analisamos o planeamento sucessório, os incentivos à gestão e a existência de sintonia com os interesses dos acionistas. Não somos ativistas, mas também não ficamos à margem: a nossa supervisão constante e as reuniões que fazemos traduzem-se numa trajetória longa e de diálogo construtivo. 

P: Qual é o principal argumento a favor das ações de crescimento europeias tendo em mente os próximos 12 meses?

R: O ser humano é incapaz de prever o que vai acontecer. O físico Niels Bohr, vencedor do prémio Nobel, afirmava: “Fazer previsões é difícil, especialmente sobre o futuro”. Gostaríamos de responder a esta pergunta com a mesma sinceridade e dizer que o principal argumento a favor das ações de crescimento europeias, tendo em mente os próximos 12 meses ou os próximos 12 anos, é que são ações de crescimento. Estando a Europa num ambiente de crescimento e inflação baixos, estes ativos devem tornar-se cada vez mais atrativos.

A nossa filosofia de investimento leva-nos a investir em empresas líderes e cujos produtos e serviços são valorizados para além dos mercados europeus. Temos tendência para estar consideravelmente sobreponderados em empresas que geram lucros em todo o mundo e, por isso, dependem menos da atividade económica da Europa.

A equipa do Jupiter European Growth:

Mark Nichols

Mark Heslop

Phil Macartney

Sohil Chotai

Nikisha Mistry

* Fonte: Jupiter

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