Ano recorde para o cemitério de ETF: isto é o que se está a passar na indústria europeia

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Apesar de um ano difícil, a indústria europeia de ETF encaminha-se para terminar 2020 de forma positiva. No final de outubro, já acumulava um crescimento do património de 0,5% face ao ano anterior, no valor de 4.300 milhões de euros. Pode parecer mínimo, mas é preciso lembrar que ocorre num contexto de perdas nos mercados na ordem de 46.200 milhões. Por outras palavras, a indústria como tal registou vendas líquidas num ano de crise de 50.500 milhões, de acordo com os últimos dados da Refinitiv.

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Por isso, é ainda mais surpreendente que com o pano de fundo destes números tão positivos tenhamos também este feito histórico: encaminhamo-nos para o ano com maior número de encerramentos de ETF desde o início da indústria na Europa em 2000. O que se está a passar? Segundo deteta Detlef Glow, diretor de Análise da Refinitiv para EMEA, não estamos perante uma consolidação da indústria. “Do meu ponto de vista, o elevado número de fechos de ETF na Europa está em consonância com uma alta atividade desde o lançamento. Dado que nem todos os novos produtos acabam por cumprir as expectativas dos investidores, são fechados após um período de tempo”, argumenta.

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Uma possível razão para o elevado número de encerramentos de ETF ao longo de 2020 até agora pode ser a falta de rentabilidade dos respetivos ETF. “No ambiente de mercado atual, vários provedores de fundos ou ETF estão a rever as suas gamas de produtos e a fechar os que não têm rentabilidade ou que podem estar desatualizados. Portanto, os lucros gerais na indústria da gestão de ativos sofreram alguma pressão”, explica.

O que pressagia o fecho de um ETF?

Há forma de prever a morte de um ETF? Talvez não seja uma ciência exata, mas Glow deteta vários indicadores de que um produto não está a funcionar bem para uma gestora.

Primeiro, é preciso partir da base de que nenhuma empresa de ETF vai pretender que o produto tenha sucesso pouco depois do seu lançamento. “Os investidores profissionais muitas vezes precisam de um track record de três ou mais anos para avaliar o rendimento de um fundo antes de o passar para a sua lista de compras”, aponta Glow. Por isso, só a partir daí podemos começar a estabelecer as métricas.

Ao caminho histórico soma-se a necessidade de que um produto mantenha um nível adequado de ativos sob gestão antes de poder nas listas de compra. No exercício que levaram a cabo na Refinitiv, examinaram o período compreendido entre novembro de 2017 e outubro de 2020 em busca dos ETF com mais de 100 milhões de euros sob gestão em pelo menos um mês no período de observação.

Até depois disto não se pode certificar antes de tempo o fim de um ETF. “Há produtos que a gestora quer manter, já que poderão querer atuar como uma janela única para algumas entidades. Além disso, poderão estar a utilizar estes ETF com uma perspetiva estratégica a longo prazo para manter a sua presença nos respetivos mercados. Também há alguns ETF orientados para o trading (estratégias long-short curtas ou estratégias curtas alavancadas) que também pode não ter risco de fecho. Isto deve-se ao facto de não se esperar que estes instrumentos mantenham altos ativos sob gestão já que o promotor destes produtos obter lucros da atividade comercial nestes instrumentos”, refere Glow.