Ariel Bezalel (Jupiter AM): “O grande problema que temos agora é a dívida, é crónico”

Ariel Bezalel Jupiter
Ariel Bezalel, Jupiter. Créditos: Foto cedida (Jupiter AM)

A inflação tornou-se nos últimos meses num grande risco para o mercado, mas cada vez são mais as vozes que apontam que o aumento visto nos preços nos últimos meses será algo mais temporário do que conjuntural. Uma dessas vozes é a de Ariel Bezalel, gestor do fundo Jupiter Dynamic Bond, produto que conta com Selo FundsPeople 2021 pela sua tripla classificação de ABC.

“Acredito que os elevados números de inflação se devem à subida de alguns setores que se viram impactados pela COVID-19, mas que voltará a números normais quando acontecer um ajuste da oferta e da procura”, afirmou o gestor da Jupiter AM num encontro com meios de comunicação. E alega as três causas para justificar a sua postura: o crescimento e a dificuldade que têm as empresas para subir os preços num mundo cada vez mais tecnológico.

De facto, para o gestor, o grande problema que o mundo enfrenta, e consequentemente os mercados, não é a inflação, mas a elevada dívida. “O grande problema que temos agora é a dívida, que é um problema crónico”, afirma.

Essa alta percentagem de dívida pública sobre o PIB é o que leva a defender que as taxas de juro vão continuar baixas durante mais tempo, perante a incapacidade dos bancos centrais de gerar essa inflação que pudesse obrigar a uma mudança de rumo nas políticas monetárias. De facto, na apresentação que utilizou durante o encontro com jornalistas, há um título que deixa clara a sua postura: Os bancos centrais podem ter como objetivo gerar inflação, mas não fazem ideia de como a gerar. E cita como exemplo o Japão, que está há anos a tentar elevar a inflação com políticas tanto fiscais como monetárias, mas sem o conseguir.

Uma das causas, diz este especialista, está na demografia, já que joga contra na maioria dos países ocidentais. “A demografia é crucial. Quanto mais envelhecida for a população, mais baixas são as taxas de juro. É o que marca o crescimento económico”, afirma. E acompanha essa afirmação com o gráfico seguinte:

Neste contexto, a pergunta é obrigatória: Teme a reação do mercado perante um taper tantrum? E a sua resposta é clara. “Os mercados ficaram tão viciados nos estímulos que não me preocupo tanto com a possibilidade de isso acontecer, mas com a forma como poderão reagir os mercados”, afirma. O profissional não prevê que se produzam subidas significativas na rentabilidade das obrigações enquanto a tendência da dívida pública sobre o PIB se mantiver a subir, já que existe uma forte correlação entre o crescimento da dívida dos governos e a queda da rentabilidade das obrigações a longo prazo.

Neste contexto, o gestor do Jupiter Dynamic Bond, que conseguiu uma rentabilidade anualizada de 4,3% desde o seu lançamento, considera que continua a ser um bom momento para investir no crédito, sobretudo, perante a falta de outras alternativas. Em concreto, a sua carteira, que deve ter pelo menos 80% investido em euros, destina 47,8% à dívida high yield, 25,8% à dívida de governos de mercados desenvolvidos e 11,1% a obrigações investment grade e 7,4% a obrigações emergentes. As posições em liquidez apenas representam 0,2%.