Cinco tendências na indústria de gestão de ativos (e como as interpretar corretamente)

EFAMA, Cinco tendências na indústria de gestão de ativos (e como as interpretar corretamente)
Créditos: Cosmin Serban (Unsplash)

O relatório anual da EFAMA sobre a indústria de gestão de ativos, a Gestão de Ativos na Europa, revela cinco tendências entusiasmantes que estão a moldar o setor.

1. Fundos de investimento captam quota face aos mandatos

Desde 2012, a quota do património total correspondente a fundos de investimento tem crescido ininterruptamente. Assim, no final de 2020, os fundos europeus geriram 15.371 milhões de euros.  Isto representa 54,1% do total do bolo. Em contrapartida, a EFAMA estima que existem 13.052 milhões de dólares em mandatos discricionários (45,9%).

EFAMA, Cinco tendências na indústria de gestão de ativos (e como as interpretar corretamente)

Até 2014, os mandatos dominaram o mercado, mas agora a gap entre os dois formatos está a aumentar cada vez mais. Porquê? Tal como esclarecido pela EFAMA, não se trata de uma questão de procura.  Pelo contrário, deve-se à composição intrínseca de um e do outro.

Os mandatos são normalmente oferecidos a clientes institucionais, como os fundos de pensões. Por isso, tendem a ter um perfil mais cauteloso, com um maior peso de obrigações nas suas carteiras. E como o mercado de ações teve um desempenho um pouco melhor do que as obrigações nos últimos anos, a valorização dos ativos subjacentes tem crescido mais rapidamente do que a dos mandatos.  

2. França está a ganhar a corrida ESG. Até quando?

O investimento sustentável tem sido a prioridade do setor em 2021. Mas, com a regulamentação ainda a emergir, a velocidade da adoção na Europa passou a duas velocidades. Temos visto gestoras mais firmes no seu compromisso de confirmar quais os produtos são sustentáveis, enquanto outras optaram pela cautela.

EFAMA, Cinco tendências na indústria de gestão de ativos (e como as interpretar corretamente)

Houve também uma diferença no tom do regulador nacional, contam na EFAMA. Por exemplo, na Alemanha, o seu equivalente à CMVM, tem sido mais rigoroso com a regulamentação, pelo que as entidades deste país têm sido mais lentas na rotulagem dos fundos. Por conseguinte, temos de ver, com as devidas ressalvas o facto de a França ser o país com maior percentagem de fundos artigo 8.º (36% do mercado total) e artigo 9º (58%). Embora seja verdade que se trata de um mercado com mais tradição no investimento sustentável.

Mas o mais importante é reconhecer que a adoção da regulamentação ESG faz com que a imagem que mostramos mude a uma velocidade tal que enquanto se lê os dados, estes já se podem ter desatualizado.

3. Indústria dos fundos desempenha um papel importante na economia global

Outra tendência interessante é o papel crescente da indústria dos fundos como motor da economia global. Desde 2011-2012, após a crise do euro, as gestoras europeias têm vindo a ganhar um papel crucial como agente de financiamento no mercado. Podemos vê-lo no gráfico abaixo. Tanto na dívida europeia como em ações cotadas europeias, a presença das gestoras na estrutura acionista é relevante.

EFAMA, Cinco tendências na indústria de gestão de ativos (e como as interpretar corretamente)

Assim, de acordo com os cálculos da AFAMA, os fundos de investimento europeus detinham 26% das emissões europeias e 27% das ações cotadas na Europa no final de 2020.

4. O investidor de retalho está finalmente a chegar aos mercados

Uma das grandes mudanças que a pandemia gerou é a chegada do investidor de retalho ao mercado. Tal como detetado na EFAMA, a rápida recuperação dos mercados após a COVID e a proliferação de plataformas de investimento online têm impulsionado a sua participação como investidores. A isto acresce o facto de a quota das seguradoras no património total ter diminuído devido aos seus investimentos principalmente em obrigações. Assim, o segmento de retalho é um dos poucos que cresceu em percentagem do total de AuM em 2020.

EFAMA, Cinco tendências na indústria de gestão de ativos (e como as interpretar corretamente)

5. A escala absorve o impacto do crescimento nos custos operacionais

A pressão persistente sobre as comissões e o crescimento das estratégias de baixo custo (fundos indexados e ETF) reduziram continuamente os lucros líquidos da indústria.  Pode parecer que os custos operacionais diminuíram, mas em termos absolutos, na verdade, aumentaram, de acordo com os dados da EFAMA. É graças às economias de escala e ao aumento dos ativos sob gestão que o aumento dos custos é amortecido.

EFAMA, Cinco tendências na indústria de gestão de ativos (e como as interpretar corretamente)