Gema Montoya (FNZ): “Asseguramos que os clientes finais recebem o que há de mais moderno em serviços de gestão de investimentos”

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Gema Montoya. Créditos: FundsPeople

A FNZ é uma plataforma global de wealth management que tem como objetivo tornar a gestão de investimentos, poupança e patrimónios mais transparente e acessível a todos. Tem, para isso, uma plataforma completa front-to-back na cadeia de valor.

Em entrevista à FundsPeople, Gema Montoya, responsável da FNZ para a Península Ibérica & LATAM, explica-nos como a FNZ poderá apoiar entidades financeiras, gestoras de patrimónios e os seus clientes finais a adaptarem-se a um mercado em evolução.

Quais são as principais áreas em que a FNZ atua, e como é que a FNZ ajuda os seus clientes a desenvolver a sua atividade?

Os wealth managers em todo o mundo estão sob uma pressão significativa devido a um ambiente regulamentar em mudança contínua, crescentes exigências de personalização dos clientes e à exigência de se manterem rentáveis.

Infelizmente, o legacy tecnológico não consolidado e frequentemente de nicho, que ainda é tão comum nesta indústria, leva a processos complexos, que carecem da agilidade necessária para responder rapidamente às mudanças regulamentares e, em última análise, impede o sector de evoluir a par das necessidades dos seus clientes.

A FNZ foi fundada com a missão de utilizar tecnologia de ponta para tornar mais aberta e transparente a gestão de poupança e investimento, pelas instituições financeiras (setores bancário e segurador) e wealth managers especializados, em última análise, pelos próprios investidores finais. Para alcançar este objetivo, a FNZ criou uma plataforma global de gestão integrada de investimentos na indústria. Integrámos uma experiência simples para clientes e advisors das entidades, com a administração sofisticada de investimentos e operações.

Esta plataforma única, de última geração, fornece as ferramentas para as entidades financeiras gerarem ofertas inovadoras e personalizadas à sua base de clientes, mantendo-se em conformidade com a regulamentação e escalando com um custo mais baixo. Isto permitirá aos gestores de patrimónios concentrarem-se nos seus clientes e fornecer um serviço holístico. Atualmente, a FNZ é um grupo verdadeiramente global, com cerca de 6.400 empregados em 26 países, bem como mais de 650 das principais instituições financeiras mundiais e mais de 8.000 Wealth Managers como seus clientes. 

Especificamente em Portugal, quais são os seus principais planos em relação à indústria de wealth management?

A estrutura da indústria de gestão de poupança e investimento em Portugal tem características específicas, sobretudo devido ao papel que os grupos bancários desempenham na distribuição comercial de produtos financeiros, através de um posicionamento multi-segmento e multi-canal. Ao contrário de outros países, é residual a relevância de pure players ou de agentes intermediários independentes.

Acreditamos que os investidores finais em Portugal podem ser melhor servidos, sendo a expansão de serviços, para alcançar segmentos que hoje são suportados por pouca ou nenhuma oferta, o fator impulsionador de crescimento da indústria. Asseguramos que os clientes finais recebem o que há de mais moderno em serviços de gestão de investimentos e, desse modo, ajudamos os nossos clientes a fazer crescer o seu negócio. A nossa plataforma digital-first foi concebida para fornecer uma gama completa de capacidades, uma vez que integra todas as operações front-to-back-office numa única plataforma em contínua evolução, sempre atualizada e consumível as-a-service. Simultaneamente, a plataforma proporciona capacidade de personalização em escala, gerando economia de custos para as entidades financeiras e permitindo concentrar-se no que realmente importa.  Isto está de acordo com a nossa missão de utilizar tecnologia de vanguarda para ajudar todos, em todo o lado, a investir no seu futuro, nos seus próprios termos. 

Como vê a gestão de patrimónios evoluir em Portugal? Quais são as principais tendências que surgem em termos de agregação de informação?

Embora a FNZ seja uma empresa global, é primordial para nós compreender e abordar as exigências dos mercados em que operamos. Tratamos cada mercado separadamente, particularmente porque existe a necessidade de gerir as operações sob conformidade regulamentar local.  

Em Portugal, por exemplo, concluímos um projeto nos últimos meses, que se materializou no estudo Wealth Management in Portugal: challenges and opportunities realizado pela AzR Consultants.  Trata-se de um inquérito baseado nas experiências e insights diretos dos responsáveis pelas atividades de Wealth Management, e aponta para um conjunto significativo de tendências com impacto direto nas instituições portuguesas. Dois dos principais destaques do estudo são: (1) a relevância da transição geracional, exigindo a revisão do modelo de negócio e de serviço para atrair e reter as gerações X e Y; e (2) o reconhecimento pelas entidades financeiras de que é necessário investimento tecnológico nesta área, uma vez que tem sido uma prioridade secundária em relação aos temas de everyday banking, tais como gestão de contas, pagamentos ou créditos.

Sobre a questão específica da agregação de informação, este é também um tema diretamente abordado no inquérito: cerca de 3/4 dos gestores consideraram que o conceito de open bank é uma oportunidade para as suas organizações, nenhum o considerou como uma ameaça potencial. Isto, combinado com o facto de aproximadamente 67% dos participantes preverem um aumento na utilização de parceiros externos para a gestão de ativos (por exemplo, gestores terceiros de fundos) é uma indicação de que os atuais responsáveis pretendem controlar e liderar a relação com os clientes finais. Isto também explica a prioridade dada aos investimentos para melhorar a experiência do cliente. Não só em termos de facilidade de acesso e usabilidade, mas também para uma compreensão holística das necessidades mais amplas dos clientes ao longo das suas diferentes fases de vida.

Quais são as principais características que os seus clientes necessitam quando constroem uma plataforma? Quais são as principais preocupações regulamentares nos dias de hoje?

Para Portugal, especificamente, há três requisitos que emergem. Em primeiro lugar, dado o reduzido investimento nesta área de negócio no passado, as questões básicas relacionadas com a infraestrutura tecnológica permanecem, como seja a modernização e integração de sistemas, por exemplo, em termos de interoperabilidade, robustez e segurança. Em segundo lugar, existe uma maior necessidade de melhorar a visibilidade dos clientes sobre os seus investimentos, incluindo uma visão integrada sobre o desempenho da sua carteira, apoiado por capacidades de data analytics. Finalmente, de um ponto de vista estratégico e de negócio, mais de 2/3 dos participantes no nosso estudo acreditam que soluções de perda limitada de capital serão relevantes, ou extremamente relevantes, no apoio a uma transição gradual para uma exposição moderada ao risco de uma base de clientes tradicionalmente conservadora.