Gonçalo Mendes de Almeida (Haitong Bank): “Utilizamos a liquidez como instrumento de redução de risco com alguma frequência e amplitude”

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Gonçalo Mendes de Almeida. Créditos: Vitor Duarte

O White Fleet III Haitong Agressive distribuído pelo Haitong Bank, foi o fundo nacional de alocação agressiva mais rentável de 2022. O fundo gerido por Gonçalo Mendes de Almeida e domiciliado no Luxemburgo apresentou um retorno de -3,61%.

Neste fundo misto a componente de ações europeias pesa no mínimo 80%. É, por isso, considerado essencialmente um fundo de exposição aos mercados acionistas europeus gerido de forma dinâmica. “Não estamos sempre 100% investidos em ações, podemos investir noutras classes de ativos, e utilizamos a liquidez como instrumento de redução de risco com alguma frequência e amplitude”, afirma o gestor, explicando também que foi exatamente isso que aconteceu em 2022, uma vez que existiram vários períodos em que estiveram investidos perto do limite inferior e, por isso, consideravelmente menos expostos direcionalmente a ações.

O gestor considera que, além da gestão de risco direcional, a leitura que fizeram da evolução das taxas de juro e a forma como anteciparam o comportamento do preço das commodities ao longo de 2022, nomeadamente do preço do petróleo, foram as duas principais decisões ativas que contribuíram para este resultado.

Alocação e considerações de fatores ESG

A alocação ao longo de 2022 foi, segundo Gonçalo Mendes de Almeida, dividida em dois períodos: “o primeiro compreende os três primeiros trimestres do ano e, depois, o último trimestre”. Como relembra o gestor, os primeiros nove meses do ano ficaram marcados pela surpresa quase geral da explosão da inflação e pelo ajustamento assistido em várias partes dos mercados de ações. Refere-se, “nomeadamente, aquelas onde as avaliações eram claramente excessivas, como a área que se chama de growth e especialmente em tecnologia, onde estivemos grande parte do ano sub-investidos”, acrescenta. Desta forma, nesta fase, estiveram consistentemente com elevados níveis de liquidez e a única sobreponderação que mantiveram foi no setor energético.

No entanto, no último trimestre fizeram uma inflexão quase total. Convictos de que estariam perto dos níveis máximos de inflação, procuraram setores e empresas em que, na opinião da equipa, “foram exagerados os efeitos da contração do consumo e da subida das taxas de juro, como foi o caso dos setor de retalho e imobiliário”, afirma.

No processo de investimento da estratégia, para além da análise financeira que fazem, integram os riscos de sustentabilidade, na medida em que consideram critérios ESG para avaliar o perfil de risco e o potencial de cada investimento. “Nos últimos anos, os mercados financeiros têm evoluído no sentido de penalizar as empresas menos sustentáveis e premiar aquelas com melhores scores ESG ou que apresentem melhorias segundo estes critérios”, afirma o gestor.

Posicionamento e expetativas para 2023

Gonçalo Mendes de Almeida afirma que iniciaram bem o ano e que têm hoje um portefólio muito mais balanceado. “Acreditamos que vamos atravessar um período de estabilização das yields e de redução da volatilidade no mercado de taxa fixa”, acrescenta o gestor. Desta forma, posicionaram-se mais defensivamente, reduzindo o peso em empresas cíclicas. 

Para este ano, a grande questão será o nível de desaceleração económica e os impactos dessa desaceleração nos earnings das empresas. Tendo isto em conta, o gestor acredita que a “seleção dos setores e empresas que preservem as margens e quotas de mercado será provavelmente o segredo para uma boa performance em 2023”.

Outro tema em que apostaram desde o quarto trimestre de 2022 e que mantêm para este ano é a reabertura da China. Segundo o gestor, o fim abrupto da política de Covid-zero, a redução do risco regulatório no setor tecnológico e os maiores apoios ao mercado imobiliário são suportes importantes e 2023 deverá trazer uma forte recuperação do consumo chinês. “Para além da exposição a ações chinesas através de ETF, o nosso know-how sobre a economia e os mercados chineses (fruto da colaboração que mantemos com as restantes estruturas do Grupo Haitong) permite-nos identificar as empresas europeias mais expostas e que mais beneficiarão com o crescimento económico na China”, conclui.