O que acontece se aplicarmos critérios ESG a um ETF do setor da energia? Análise de um caso prático

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Créditos: Andreas Gucklhorn (Unsplash)

Os ETF setoriais emergiram como um elemento-chave para as carteiras. “Demonstraram ser uma ferramenta útil para expressar uma convicção de forma tática e com precisão”, afirma Laure Peyranne, responsável de ETF da Invesco para a Península Ibérica, América Latina e mercado offshore dos EUA. E outra tendência está a surgir: os ETF setoriais ESG.

“Os investidores estão a procurar soluções mais precisas para integrar critérios de sustentabilidade nas suas carteiras”, deteta Sam Whitehead, responsável de gestão de produtos ETF ESG para a EMEA da Invesco. É um movimento que Laure Peyranne também está a perceber: “Há clientes que planeiam replicar as suas carteiras através de produtos ESG. E isso inclui a exposição a setores”. Em resposta a essa procura, a gestora prepara o lançamento de uma gama completa de ETF setoriais ESG. Numa primeira fase centraram os seus esforços em quatro setores: o setor da saúde, o de tecnologias da informação, o financeiro e o energético.

Porquê estes quatro? “Em primeiro lugar, porque com estes quatro setores cobrimos 55% do índice global. Em segundo, com estes quatro podemos jogar em qualquer ponto do ciclo económico. Expansão inicial com o setor financeiro e tecnológico, expansão tardia com energia ou recessão com o setor da saúde. Em terceiro lugar, estes tendem a ser os setores mais voláteis, pelo que a oferta de ETF dá a oportunidade aos investidores de se posicionarem taticamente com rapidez e transparência”, explica Sam Whitehead.

O que acontece se aplicarmos critérios ESG a um ETF do setor da energia?

Vale a pena analisar o caso concreto dos ETF do setor da energia. O setor energético é tradicionalmente o setor mais subponderado em estratégias gerais de ESG. “Tipicamente devido aos critérios de exclusão dos combustíveis fósseis e produção de energia”, explica Sam Whitehead.

A rentabilidade também tem sido um obstáculo. Enquanto no caso dos setores financeiro, saúde e das tecnologias da informação o índice setorial ESG se move em linha com a rentabilidade gerada pelo setor tradicional (sem essa capa ESG), no caso da energia a underperfomance da versão ESG é notável. Sobretudo devido ao rally nas matérias-primas no ano passado.  

No entanto, é uma underperformance marcada pelo curto prazo. A longo prazo, segundo os dados da S&P, a fornecedora de índices com o qual a Invesco tem trabalhado para estes ETF, a diferença de rentabilidade diminuiu. Por exemplo, enquanto num ano o índice tradicional gerou um retorno de 19,53% em comparação com 13,5% da versão ESG, a cinco anos a diferença é de 7,73% em comparação com 5,95%. Além disso, traz outros elementos positivos para a carteira, como uma menor volatilidade a três e cinco anos. “E consegue-o ao mesmo tempo que reduz a intensidade de carbono da carteira”, acrescenta Stephanie Rowton, da S&P Dow Jones Indices.

O que muda numa carteira de energia ESG

O que se pode então esperar de uma carteira do setor da energia com foco ESG? Outra diferença entre os dois índices é uma maior concentração no caso da versão ESG. Enquanto o S&P Developed exKorea LargeMidCao Energy Sector Index conta com 59 ações, o ESG Enhanced tem 38 nomes.

Quanto às razões de exclusão, se analisarmos as 10 principais destacam-se razões como a baixa pontuação ESG (o caso da Chevron, EOG Resources, Diamondback Energy ou da Coterra Energy), elevada intensidade de carbono (Shell, Marathon Petroleum ou Repsol) e a exposição a areias petrolíferas (Canadian Natural Resources, Suncor Energy ou Cenovus Energy).

Com o filtro de exclusão ficam de fora até 34,46% do índice não ESG. Principalmente devido a baixas pontuações ESG. Depois das exclusões, o processo da S&P inclui a sua própria capa de otimização. As empresas são sobreponderadas ou subponderados com base no índice não ESG, ou mesmo excluídas diretamente, com base na pontuação ESG da S&P DJI e na intensidade de carbono.