Esta semana vou estar de olho… nos resultados das empresas industriais, de consumo e turismo

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Emília Vieira. Créditos: Cedida (Casa de Investimentos)

Esta semana vou estar de olho... é da autoria de Emília Vieira, CEO da Casa de Investimentos.

A semana passada foi marcada pela apresentação de resultados das maiores capitalizações de tecnologia  (Amazon, Alphabet, Apple, Microsoft e Meta Platforms) e ainda das empresas de pagamentos (Visa e Mastercard). Os resultados foram, com exceção da Amazon, genericamente muito bons. 

O regresso das economias à “normalidade” pós-pandemia está a ter um efeito (expectável) de redução dos níveis de crescimento em algumas empresas. Este efeito é evidente em empresas como a Netflix que, após o crescimento da procura pelos seus serviços ao longo de 2020 e 2021 observou, pela primeira vez, uma redução (ainda que pequena) do total de subscritores no primeiro trimestre de 2022.  Na nossa opinião, é especialmente importante tentar perceber qual a proporção de crescimento dos últimos anos que foi apenas transitório. Por outro lado, o dito regresso à normalidade está a ter um efeito positivo nas empresas que foram penalizadas nos últimos dois anos (como Visa e Mastercard que viram neste trimestre um crescimento expressivo dos volumes de transações internacionais).

Esta semana, a apresentação de resultados em vários setores de atividade é particularmente relevante. O foco vai estar nas empresas industriais (no setor automóvel temos por exemplo a Volkswagen e a BMW), nas empresas de consumo e turismo (como a Estée Lauder, Adidas, Abinbev, Booking, Airbnb) e nas empresas europeias, o que permitirá:

1.º avaliar quais os impactos que estes negócios já sentiram no mês de março, com a guerra na Ucrânia e a consequente subida dos preços energéticos, a subida na inflação e nas taxas de juro;

2.º avaliar os discursos das equipas de gestão em relação às perspetivas para o resto do ano.

Adicionalmente, destacaria como um dado chave desta época de resultados, a análise à capacidade das empresas suportarem aumentos de custos de matérias-primas, transportes e custos laborais. Os resultados da Microsoft são um ótimo exemplo de uma empresa com uma capacidade de fixação de preços acima da média, tendo reportado neste trimestre um crescimento de receitas de 18%, bateu as expectativas do mercado e as indicações anteriores dadas pela gestão.

Os investidores estão ainda mais focados no curto prazo e isso faz com que vendam de forma indiscriminada as empresas que falhem as estimativas ou apresentem reservas quanto ao que pode ser a sua atividade para o resto do ano. A atual conjuntura é ainda mais propícia a que reajam de forma mais emotiva e olhem para resultados menos bons como permanentes. Por isso, continuaremos a assistir a grande volatilidade que pode e deve ser aproveitada para comprar empresas excelentes a preços muito razoáveis. 

Atualmente há muito valor a desconto. No entanto, é importante distinguir as boas das más empresas. Devemos assegurar-nos que estamos investidos em empresas de qualidade excecional, com equipas de gestão capazes, cuja atividade é suportada por balanços fortes e que tenham capacidade de passar a inflação para os consumidores.

O investidor paciente e conservador (que se preocupa em comprar a desconto) tem hoje excelentes oportunidades. Os mercados recuperam sempre.