Os ETF após a MiFID II: radiografia do seu crescimento e liquidez na Europa na última década

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Créditos: AbsolutVision (Unsplash)

Na Europa já há mais de 5.500 ETF cotados e o número continua a crescer. Uma quota que cresceu a um ritmo rápido na última década. No seu conjunto representam 20% dos novos instrumentos disponíveis em bolsa. Há 10 anos esse número rondava os 8%. E os volumes de negociação dos ETF também cresceram exponencialmente: passaram de representar 6% dos volumes de transação de ações em 2018 para 10% em 2019.

Assim o mostram os números extraídos de um relatório publicado pela ESMA. É a primeira vez que o regulador publica uma análise das estatísticas sobre os instrumentos em obrigações e ações sujeitos à MiFID II.

Desta forma, se aprofundarmos a análise dos ETF pelos seus ativos subjacentes, veremos como os veículos de ações predominam com 64% do total dos fundos cotados. Os ETF de obrigações apresentam 24% enquanto os mistos apresentam 5%.

Porém, como vem sendo a tónica nos fundos de investimento, nos ETF também dominam o Luxemburgo e a Irlanda como domicílios por excelência. Mais de 60% dos ETF disponíveis para compra e venda na Europa estão domiciliados na Irlanda (1.094) e no Luxemburgo (1.014). Esses produtos correspondem a 70% dos volumes totais de negociação em 2019. Curiosamente, essa compra e venda aconteceu principalmente em bolsas domiciliadas no Reino Unido, em França, na Alemanha ou Over the Counter (OTC) enquanto só foi marginal no Luxemburgo ou Irlanda. E o que é até mais notório: que enquanto os ETF americanos representam 27% dos ETF disponíveis, só representaram 14% do volume (0,4 biliões).

Liquidez nos ETF

O volume médio de negociação para um ETF em 2019 foi oito vezes superior ao das ações, 107.000 euros por transação. Mas é preciso detalhar este número porque o nível médio varia muito por classe. Enquanto a média da transação de um ETF de obrigações é de 160.000 euros, o de um ETF misto é de 146.000 e o de um de ações é apenas de 92.000. “Isto significa que tanto a liquidez como o tamanho da classe de ativos subjacente tem um impacto no tamanho da negociação do ETF em si”, conclui o estudo.

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Mas quando passamos para o mercado secundário, a história muda. A liquidez é muito mais baixa aqui para os ETF de ações. Só 52% dos ETF disponíveis negoceiam, em média, pelo menos uma vez por mês. Isto compara-se com a média de 64% para as ações.