Primeira emissão sindicada do ano regista recorde de procura

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Créditos: XPS (Unsplash)

Portugal voltou aos mercados para a primeira emissão de dívida sindicada de 2021. Foram emitidos três milhões de euros de dívida com uma maturidade de 30 anos. A yield desta emissão fixou-se nos 85 pontos base acima da taxa swap do euro a 30 anos (0,156%), o que corresponde a 1,006%.

Conforme explica Filipe Silva, diretor de Investimentos do Banco Carregosa, a emissão registou um recorde de procura, cerca de 13 vezes acima da oferta, tendo o livro de ordens superado os 40 mil milhões para uma emissão de 3.000 mil milhões. “Com esta emissão a 30 anos o IGCP consegue alargar a oferta em obrigações do tesouro, a maturidade mais  longa antes desta emissão era a 24 anos. O ambiente atual de taxas juro historicamente baixas, é muito benéfico para este tipo de emissões e enquanto assim for irá permitir fazer o rollover da dívida com um custo significativamente mais baixo”, comenta o profissional.

A distribuição da emissão por geografia e tipo de investidor foi a seguinte (Fonte: IGCP):

Investidores na emissão de dívida portuguesa

Rentabilidades potenciais limitadas

Contudo, segundo comentava João Marques, responsável da Direção de Estratégia e Alocação da Caixa Gestão de Ativos, nas suas perspetivas para 2021, “uma parcela significativa do universo de obrigações do tesouro do espaço europeu apresenta yields negativas, inevitavelmente abaixo das suas médias históricas, e diferenciais de taxas de maturidades longas vs. curtas reduzidos, por sua vez expressos em curvas de rendimentos com uma inclinação relativamente diminuta”. 

O especialista considera que este “segmento de mercado ostenta um perfil assimétrico de rendibilidades potenciais, pois, apesar de beneficiar das aquisições de ativos dos bancos centrais e de contextos intermédios de aversão ao risco, a probabilidade de subida das taxas de mercado, dado os próprios níveis atuais e a retoma perspetivada, é maior”. 

Na mesma linha, Eduardo Monteiro, da BPI Gestão de Ativos, refere que “estando as taxas das dívidas soberanas em níveis negativos ou próximos de 0%, parece ser cada vez mais difícil defender uma tese de que este ativo possa obter valorizações futuras e duradouras muito pronunciadas”. Na opinião do profissional, “as obrigações de dívida pública apresentam-se presentemente com uma capacidade de diversificação mais limitada, posicionando-se também menos atrativas quando se olha num binómio risco/retorno”.