Razões para acreditar na subida do value

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Créditos: Parrish Freeman (Unsplash)

O mercado tem a certeza que 2021 será o ano da recuperação macroeconómica. E pode não ser a única subida à vista. Prevendo as correções naturais, estamos a viver uma rotação no mercado. De setores mais defensivos para valores mais cíclicos. Dos sobreviventes da pandemia para os vencedores da normalização. Do growth para o value. Mas após vários anos de atraso e várias tentativas falhadas de fechar o spread, cada vez sobram menos crentes no value. Desta vez será diferente?

A equipa de ações americanas da Neuberger Berman analisa de vários ângulos o contexto para as ações e setores value. É uma visão que estão a aplicar no Neuberger Berman Multi-Cap Opportunities, fundo com Selo FundsPeople 2021 pela sua classificação de Blockbuster.

Desta vez será diferente?

Um dos argumentos principais dos detratores do growth são as valorizações atuais; o alerta de que após anos de subidas estes nichos ou setores estão em “território bolha”. Como ressaltam na Neuberger Berman, o prémio de valorização atual das ações tipo growth face às de value supera largamente a observada durante o auge das dotcom de fim da década de 1990.

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O problema está nos indicadores tradicionais da análise fundamental. Para as empresas tecnológicas modernas, onde os ativos intangíveis podem estar entre os seus ativos mais valiosos, os preços vão parecer quase sempre caros em relação ao valor contabilístico. Durante a bolha das dotcom, a falta de vendas e lucros foi o mais revelador. Agora, é diferente. “Poucos argumentariam que a Amazon, Microsoft, Apple ou Alphabet, ou até a Facebook, Twitter e Netflix, não são empresas consolidadas que oferecem produtos e serviços de sucesso e modelos claros de obtenção de lucros, protegidas por resistentes forças contra os seus concorrentes”, defendem.

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Portanto, mesmo que a inclinação ressuscite fantasmas do passado, quando comparamos os preços de índice atuais com vendas, lucros futuros e lucros realizados, o quadro é muito menos dramático.

Porque é preciso entender o que há por detrás das subidas de setores growth em 2020. “A crise do coronavírus parece ter acelerado significativamente a automatização e a digitalização das nossas vidas como consumidores, empregados e empresários”, apontam. “É provável que parte desse trabalho, essas compras e essas relações virtuais voltem à normalidade quando terminarem as restrições de confinamento, mas provavelmente não todas”.

Uma mudança de tendência nas taxas

Na Neuberger Berman não culpam os investidores que se mostrem céticos quando alguém lhe diz que este é o ano em que finalmente voltará o value. Parece que todos os anos surge a mesma previsão, reconhecem. Dito isto, em 2021 encontramos fatores propícios para apoiar, de novo, esse regresso aos cíclicos.

Os baixos níveis estabelecidos durante 2020 provavelmente farão de 2021 um ano de crescimento significativamente mais alto, inflação moderadamente mais alta e uma mudança nas taxas de juro, mais altas do que nos habituámos na última década.

Isto poderá mudar a opinião dos investidores de duas maneiras:

  • Num ambiente de crescimento estável, mas baixo, os investidores procuram principalmente ativos que geram um crescimento de lucros superior ao crescimento do PIB. Em contraste, num ambiente de crescimento relativamente alto, é mais fácil aumentar os lucros e os investidores concentram-se em quanto estão a pagar por esses lucros. Essa dinâmica de ciclo inicial geralmente favorece ações de value.
  • Quando os investidores atribuem um valor aos lucros futuros da empresa, devem aplicar uma taxa de desconto para calcular o seu valor atual em dólares. Quanto mais tarde se espera que haja lucros, maior será o efeito da mudança da taxa de desconto. A maior parte dos ganhos com ações growth tende, por definição, a vir mais no futuro do que com ações de valor. Isso torna-os mais sensíveis às mudanças nas taxas de juro.
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E, como ressaltam na gestora, embora as ações growth com desempenho superior ao das ações de valor estejam agora no seu décimo terceiro ano, só “descolaram” depois de 2015.

Este último e abrupto salto no gráfico corresponde ao colapso das taxas globais para zero durante a crise do coronavírus. As ações growth sensíveis às taxas de juro beneficiaram significativamente da visão de que as taxas permaneceriam mais baixas por mais tempo. Agora, uma reversão dessas tendências e taxas de crescimento poderá levar a uma mudança igualmente rápida na liderança de mercado.