Desafios macroeconómicos e estratégias defensivas nos mercados desenvolvidos

Obe Ejikeme. Carmignac
Obe Ejikeme. Créditos: cedida (Carmignac)

“De uma perspetiva macro, há muitos problemas que enfrentamos neste momento”, indica Obe Ejikeme, gestor do Carmignac Grandchildren da Carmignac. Segundo o gestor, “há muito poucas empresas a crescer neste momento entre as quality growth”.

“No S&P 500, as expetativas de crescimento dos lucros para este ano estão próximas de 7,5%, em que, tirando as maiores empresas, as Sete Magníficas, o crescimento dos lucros não é tão grande”, acrescenta o especialista. Esta radiografia revela que o potencial de crescimento é baixo e que os problemas no momento de contar com oportunidades nos mercados desenvolvidos são cada vez mais notáveis.

Ao falar do setor tecnológico, Ejikeme explica que “os investidores estão a comprar empresas que aumentam os seus ganhos e as suas receitas num período em que não há receitas nem crescimento de ganhos”. Isto acontece porque, nos últimos anos, a capacidade de fazer crescer as receitas foi diminuindo até nos encontrarmos num ponto semelhante ao dos anos pré-pandemia.

Desde 2020 que as empresas do S&P 500 com um crescimento de vendas acima de 15% cresceram para 25% em 2022. No entanto, a partir desse ano, a curva voltou a cair a pique, registando um crescimento de apenas 5% em 2023.

“Durante a pandemia a inflação aumentou, e isto traduziu-se num aumento de valor de todas as empresas do S&P 500. Pela primeira vez em quase 15 anos vimos todas as empresas a aumentar o seu valor”, explica o especialista. Desta forma, agora que a inflação desceu, esse aumento desfasado das receitas voltou a baixar”, acrescenta.

Eleições nos EUA

Olhando para as próximas eleições de novembro nos EUA e para a ameaça da reeleição de Donald Trump como presidente do governo, o risco de agravamento das relações entre os EUA e a China preocupa os especialistas da Candriam.

Além disso, destaca também a imprevisibilidade de Trump. “Não só não sabemos o que vai fazer como também não sabemos se vai fazer o que diz”, explica. Com isto, mencionam quando em 2016 afirmou que ia construir um muro entre o México e os EUA e, afinal, através do seu novo acordo comercial, o NATFA (Tratado de Livre Comércio da América do Norte), foi reforçado, pelo que os ativos mexicanos beneficiaram.

Dado este cenário incerto, o especialista identifica valor em negócios defensivos, visto que “funcionam bem quando a volatilidade aumenta, quando os bancos centrais cortam as receitas e quando o crescimento desvanece”, conclui.