Um livro para aguçar o interesse na área de Behavioral Finance

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FundsPeople, periodicamente, dá-lhe a conhecer, na primeira pessoa, os livros que os profissionais portugueses da gestão de ativos recomendam. Desta feita, apresentamos a sugestão de Tiago Mergulhão, subdiretor de Private Wealth Management do BiG:

“No atual contexto de pandemia, que muito alterou as nossas vidas (provavelmente, sem precedentes) com instabilidade, incerteza e impactos a todos os níveis da sociedade, a área de Behavioral Finance (a forma como a psicologia e a condição humana impacta nas finanças) é, claramente, um tema com uma importância crescente.

Assim, a sugestão de leitura que deixo é “Beyond Greed and Fear: Understanding Behavioral Finance and the Psychology of Investing”, uma obra escrita por Hersh Shefrin (autor e economista canadiano com diversos trabalhos sobre o tema) que debate, de forma abrangente, a influência que a psicologia tem em nós, nos outros, mas também no campo das finanças.

A primeira parte do livro, numa ótica de introdução ao tema, descreve as finanças comportamentais, adicionando aos modelos financeiros convencionais a condição humana e a sua circunstância comportamental nas decisões de investimento. Depois, por meio de exemplos do mundo real, muitas vezes bem-humorados, retrata erros comuns que incorporam essas mesmas decisões (como, por exemplo, o “efeito manada”, aversão à perda ou euforia) e que têm impactos substanciais nos resultados. São, por isso, insights sempre valiosos para a nossa atuação, aplicáveis numa lógica individual, institucional e à indústria financeira.

O início desta crise pandémica, em 2020, caracterizado por níveis de volatilidade e correções elevadas nos mercados, por via do shutdown das economias e níveis de incerteza de uma crise sanitária desconhecida, foi seguido de uma recuperação impressionante alicerçada na atuação dos diversos agentes económicos, na reabertura da atividade e na investigação médica em curso.

De acordo com a minha experiência, este período de ameaças e oportunidades fez realçar, ainda mais, a importância de alinhar as expetativas dos investidores, aprimorar e detalhar as adequações de investimento, de acordo com o perfil e objetivos de cada cliente. Assim, mais do que uma questão regulatória, a atividade de Consultoria para Investimento deve continuar a desenvolver-se para ajudar os investidores a tomarem as decisões que melhor correspondam aos seus interesses tendo sempre presente a condição humana nesta relação”.