ELTIF: definição e características deste capital de risco para investidores de retalho

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Créditos: Micheile Henderson (Unsplash)

Estão destinados a ser uma das opções alternativas para que os investidores possam diversificar as suas carteiras num contexto em que custa encontrar descorrelações significativas entre os ativos tradicionais. Falamos dos ELTIF, um veículo europeu que cumpre sete anos de vida, mas que acaba de descolar. Neste glossário da FundsPeople, explicamos em que consiste.

O que é?

ELTIF é o acrónimo de European Long Term Investment Fund (Fundo Europeu de Investimento a Longo Prazo). É um veículo fechado com uma data de vencimento pré-definida, similar aos fundos de capital de risco, desenvolvida pela UE através do Plano Juncker no ano de 2015.

Os ELTIF têm dois objetivos. Por um lado, canalizar o capital para pequenas e médias empresas europeias, oferecendo-lhes assim uma alternativa de financiamento. E, por outro lado, facilitar aos investidores europeus de retalho o acesso, de forma regulada, a classes de ativos institucionais que, historicamente, só têm estado disponíveis para clientes profissionais. 

Como investem?

O requerimento mais importante é que no final do período de construção da carteira, pelo menos 70% dos ativos do veículo têm de ser investidos em instrumentos a longo prazo emitidos por empresas públicas ou privadas com uma capitalização inferior aos 500 milhões de euros, uma vez que o objetivo é potenciar o investimento em pequenas empresas que têm mais dificuldade em obter financiamento por outras vias.

O período de construção da carteira não pode exceder metade do vencimento dos ELTIF (máximo de cinco anos de construção da carteira). Os ELTIF podem investir também em instrumentos que não sejam a longo prazo com 30% no final do período de construção da carteira do fundo e também estão autorizados a investir em outros ELTIF, desde que não sejam investidos mais de 10% da carteira

Outra característica é que a carteira tem de ser diversificada. Por exemplo, o valor agregado do investimento em outros ELTIF não pode exceder 20% e não pode atribuir mais de 10% a uma única empresa ou instrumento.

A sua alavancagem máxima é de 30%, o seu vencimento não pode ser superior à vida do fundo e não podem investir em matérias-primas ou posições curtas sendo o uso de derivados apenas usado para realizar estratégias de cobertura.

Quem pode investir nestes produtos?

Uma das razões de ser deste tipo de fundos de investimento fechados a longo prazo é dar acesso aos investidores de retalho a um estilo de investimento próprio do capital de risco que até agora se centrava apenas nos clientes institucionais. O regulamento estabelece que o mínimo para investir é de 10.000 euros, em oposição aos 100.000 euros exigidos pelos hedge funds, por exemplo. No entanto, se o investidor dispõe de um património financeiro inferior a 500.000 euros, não pode destinar mais de 10% aos ELTIF, se o montante for superior.

No entanto, a EFAMA solicitou à Comissão Europeia que tornasse este investimento mínimo mais flexível, baixando-o até aos 1.000 euros.

Quantos há?

Como mencionado neste artigo, penas 57 produtos deste tipo foram aprovados na União Europeia. Os números são do final de outubro de 2021 e representam um volume total de 2400 milhões de euros.

Que mudanças estão pendentes?

Tendo em conta o pouco sucesso que estes produtos têm tido, tanto junto dos investidores como junto das gestoras, a EFAMA solicitou à Comissão Europeia uma série de medidas para os tornar mais atrativos.

Entre essas propostas está a de reduzir o investimento mínimo, como vimos em cima, mas há mais:

- Converter os ELTIF numa estrutura aberta juntamente com a opção fechada já existente, eliminando as limitações atuais do seu ciclo de vida e introduzindo condições de resgate adequadas e incluindo ferramentas de gestão de liquidez adequadas.

- Aumentar o âmbito da atual fornecimento de ativos elegíveis para incluir outros tipos de fundos e empresas não cotadas em fase de arranque financeiro. 

- Reduzir o limite atual de 10 milhões de euros para investimentos em ativos reais, aumentando assim as opções para que as gestoras considerem projetos de investimento menores.

- Assegurar a neutralidade fiscal da estrutura ELTIF para torná-la numa ferramenta de investimento rentável. As transferências são atualmente tributadas, ao contrário de outros fundos de investimento.

Quando é que as alterações serão implementadas?

Grande parte destas mudanças tem sido muito apreciadas pela Comissão Europeia, mas é provável que tardem a tornar-se realidade devido ao conflito entre a Rússia e a Ucrânia. “Antes da eclosão do conflito, existia um calendário estimado para que, até meados ou fins deste ano, houvesse um novo projeto que fosse aprovado em algum momento em 2023. Provavelmente, tudo isto vai ser adiado”, comenta José Luis González Pastor, membro da equipa de Private Equity e Investimentos Alternativos da Neuberger Berman.