Grandes convicções para investir em gestão alternativa em 2021

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A crise de mercado provocada pela COVID-19 derivou numa insatisfação dos investidores relativamente às rentabilidades conseguidas por muitos fundos de gestão alternativa, as quais, em linhas gerais, não estiveram à altura das expectativas. O resultado foi uma redução do peso destas estratégias nas carteiras. Neste cenário, a FundsPeople levou a cabo um inquérito entre os responsáveis máximos das gestoras internacionais com escritório ibérico com o objetivo de conhecer, de toda a gama que comercializa a sua entidade, qual seria o fundo de gestão alternativa que representa a sua maior convicção perante 2021. Participaram 13 responsáveis que revelam quais os produtos que selecionaram e os motivos que o levam a escolhe-lo.

Romualdo Trancho: Allianz Fixed Income Macro Fund 

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Romualdo Trancho, diretor de desenvolvimento de negócio em Portugal e Espanha, escolheu o Allianz Fixed Income Macro Fund. “um fundo verdadeiramente diversificado e flexível, que procura as melhores oportunidades possíveis dentro do espaço macro global”. O profissional da Allianz GI explica que “ao usar um amplo kit de ferramentas macro para encontrar os meios mais eficientes para compor as exposições ao risco, isso permite que a estratégia forneça rendimentos com uma correlação baixa às classes de ativos tradicionais, servindo assim como um diversificador de carteira, especialmente em mercados voláteis. Tendo por objetivo produzir rendimentos absolutos positivos ao longo de um período contínuo de 12 meses, independentemente das condições de mercado e investindo predominantemente em derivados de instrumentos e títulos de rendimento fixo, este fundo é a opção certa para quem procura uma alocação de rendimento absoluto, já que a sua conceção assenta nas seguintes premissas: (i) o verdadeiro retorno absoluto não deve estar correlacionado com os ativos tradicionais (alvo: correlação zero com ações, crédito e títulos do Tesouro); (ii) é gerido por uma equipa com um historial comprovado na geração de verdadeiros retornos alfa e não correlacionados; e (iii) assenta numa experiência vital em estratégias de retorno absoluto”.

Marta Marín: Amundi Funds Multi Strategy Growth

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Segundo a diretora-geral da Amundi para a Península Ibérica, num mundo de elevada correlação entre os ativos de risco acrescentar fontes de rendimento não correlacionadas pode ajudar a equilibrar a alocação. “Os enfoques de retorno absoluto de estratégias de volatilidade e de cobertura podem ajudar a melhorar a diversificação da carteira. O Amundi Funds Multi Strategy Growth é um fundo de retorno absoluto multiestratégia que procura conseguir retornos positivos, independentemente  do ciclo de mercado com uma volatilidade significativamente melhor do que a do mercado de ações. A carteira constrói-se com base em múltiplas estratégias direcionais e não direcionais que investem numa ampla gama de classes de ativos. O risco aloca-se através de quatro pilares de investimento, estratégias macro, cobertura macro, estratégias satélite e estratégias de seleção, dentro de uma estrutura de orçamento de risco que procura diversificação eficaz. Cada pilar tenta oferecer uma contribuição única para o risco e para o retorno geral da carteira”, refere Marta Marín.

Aitor Jauregui: BSF Global Event Driven

Aitor Jauregui

 O produto assinalado por Aitor Jauregui é o BSF Global Event Driven, um fundo gerido por Mark Mckenna que se centra em tentar arbitrar ineficiências em qualquer evento corporativo, com flexibilidade para poder investir em qualquer tipo de catalisador. “Estas oportunidades de investimento podem ter uma natureza muito diversa. Por exemplo, podem consistir em fusões e aquisições, ofertas públicas de aquisição de empresas, clivagem e separação de empresas e mudanças na direção corporativa. Implementa um processo sofisticado de coberturas, graças à plataforma Aladdin para tentar distribuir o risco de mercado e poder gerar retornos descorrelacionados com os principais mercados de ações e de obrigações. Investe principalmente em ações, podendo adotar posições em crédito, e sempre com um enfoque fundamental e estratégico.  O objetivo é gerar um rácio de Sharpe de um, mantendo uma volatilidade em torno de 6%-8%. Costuma incluir entre 30 e 60 ideias na carteira de elevada convicção, com um posicionamento geográfico centrado nos Estados Unidos (60%-80%), explica o responsável da BlackRock para Portugal, Espanha e Andorra.

Sasha Evers: BNY Mellon Sustainable Global Dynamic Bond Fund

Sasha Evers

Este fundo cuja gestão está a cargo da Newton, pode considerar-se uma estratégia de obrigações flexíveis ou de retorno absoluto (o fundo tem como referência um índice de liquidez), já que combina elementos de ambos os estilos de investimento. Segundo o diretor-geral da BNY Mellon IM para a Península Ibérica e América Latina, Sasha Evers, “é um dos poucos produtos sustentáveis nesta categoria e tem por base o BNY Mellon Global Dynamic Bond Fund, que conta com uma longa trajetória. O fundo investe de forma flexível nas quatro principais classes de ativos de obrigações (obrigações governamentais, crédito com investment grade, high yield e dívida de mercados emergentes) e utiliza derivados simples para cobrir os riscos da carteira. Os critérios ESG usam-se para excluir certos setores e emissores (tabaco, armas, incumprimento do Pacto Mundial das Nações Unidas). Depois, aplica-se um processo de seleção de emissores best in class”.

Mariano Arenillas: DWS Invest Global Infrastructure

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Para Mariano Arenillas, responsável da DWS para a Península Ibérica, a tecnologia e a saúde são claramente ideias vencedoras durante a crise da COVID-19 e vão continuar a ser apostas firmes daqui em diante, ainda que as suas cotações atuais sejam exigentes a respeito da sua geração de rendimentos futuros. “Não obstante, em 2021, a maior parte dos governos deve implementar pacotes de ajuda para a reconstrução dos seus tecidos produtivos, com foco especial na transição energética e digitalização. Vamos precisar de desenvolver novas infraestruturas que melhorem o acesso e eficiência para a população num contexto pós-COVID. O DWS Invest Global Infrastructure, através de empresas cotadas em bolsa, dá acesso a este mundo por desenvolver nos próximos anos. As infraestruturas consideram-se ativos alternativos pela descorrelação que fornecem às carteiras tradicionais, mas o acesso a estes projetos requer um longo prazo e são ativos menos líquidos, pelo que a DWS coloca à disposição dos investidores esta aproximação investindo em empresas com projetos de infraestruturas por desenvolver”, sublinha Arenillas.

Begoña Gomez: Invesco Physical Gold ETC

Reconhecido como o ativo refúgio por excelência para momentos de incerteza, o outro é um ativo que, segundo Begoña Gómez, responsável de Vendas da Invesco para Portugal, pode funcionar em qualquer situação de mercado. “Os números mostram que investir neste metal precioso uma percentagem da carteira não só fornece esse plus de proteção durante períodos de stress, mas também permitiu elevar a sua rentabilidade a longo prazo. Para além disso, mais além das suas caraterísticas defensivas e de diversificação, também conta a seu favor com a crescente procura a nível global, que tem impulsionado o seu preço até máximos históricos em 2020. Uma das formas mais eficientes para investir em ouro através de um ETC pela sua transparência, facilidade e baixo custo. O Invesco Physical Gold ETC é um dos maiores da Europa e também um dos mais baratos, com um custo anual de apenas 15 pontos base. Os seus ativos estão garantidos por barras de ouro físico armazenados em cofres de Londres.

Martina Álvarez: Janus Henderson Global Equity Market Neutral

Dado o contexto de taxas de juro baixas, Martina Álvarez continua a ver procura por produtos com volatilidade controlada e que são descorrelacionados com ativos tradicionais. “Daí o apetite por estratégias como o Janus Henderson Global Equity Market Neutral. O fundo tem como objetivo acrescentar alfa no stock picking. Por isso costuma estar investido em 60-80 ideias de investimento ou pair trades que se materializam no livro curto e longo. Através de um rigoroso processo de controlo de risco, o gestor consegue controlar a volatilidade da carteira (historicamente 4-4,5%) e minimizar a exposição tanto a fatores como a mercado (objetivo de beta zero). Esse processo é o que lhes permitiu permear momentos de volatilidade como março, setembro ou outubro”, aponta a diretora de vendas da Janus Henderson para a Península Ibérica.

Francisco Amorim: Merian Gold & Silver

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Para os investidores que querem usar o investimento em ouro como um ativo refúgio bem como tirar partido do crescimento da prata, o  Merian Gold & Silver constitui-se como uma boa opção, na opinião de Francisco Amorim, vendas da Jupiter AM para Portugal. “O fundo apresenta um portefólio com 30 a 50 ações, incluindo fundos de ouro listados que compõem a exposição do fundo ao metal físico”, diz. Os gestores veem esta opção com um ótimo balanço entre a diversificação do risco, por um lado, e a convicção na seleção de ações, por outro lado. A maioria das posições nas ações de mineração, explica o profissional, serão entre 2% e 4% do total do fundo, com exposições mais pesadas (até 10%)  na componente mais líquida do ouro. Francisco Amorim realça que o fundo tem um turnover anual esperado que ronda os 20-50% dependendo das condições de mercado subjacentes. “Inevitavelmente, uma concentração mais elevada da componente de mineração será mais volátil em prazos mais curtos, comparativamente com o mercado em termos mais alargados”, conclui. 

Javier Dorado – JPMorgan Investment Funds – Global Macro Opportunities Fund

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O produto eleito pelo diretor-geral da J.P.Morgan AM para Portugal e Espanha é o JPMorgan Investment Funds – Global Macro, um fundo de retorno absoluto com um objetivo de rentabilidade de bater o mercado monetário por cerca de 7% com uma volatilidade menor do que 10% no médio prazo. “Tem como objetivo obter rentabilidades positivas em distintos contextos de mercado. Pode investir numa ampla variedade de ativos de rendimento fixo e variável, assim como em derivados para implementar estratégias tradicionais e/ou sofisticadas que reflitam a visão macroeconómica da equipa. Tem sido capaz de capturar os bull markets assim como obter rentabilidades positivos em contextos de queda. A rentabilidade anualizada desde o lançamento (da classe A (Acc) – EUR) é de 6% com uma volatilidade de 6,8% (dados de outubro de 2020)”, conta Javier Dorado.

Alicia García: M&G (Lux) Global Listed Infrastructure

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As infraestruturas cotadas são uma das classes de ativos que contam com melhores e mais sólidos fundamentais a longo prazo. Assim acredita Alicia García, responsável da M&G para Portugal, Espanha e Andorra. “Por isso, uma das apostas fundamentais  nos últimos anos (e provavelmente para os seguintes) é o M&G (Lux) Global Listed Infrastructure. O seu gestor, Alex Araujo, procura ativos suportados por empresas que ofereçam serviços do dia-a-dia, com uma procura e um fluxo de caixa estável. O contexto, para além disso, é altamente favorável: estima-se que para fechar a brecha de investimento que ainda existe no setor é necessário investir 15 biliões de dólares até 2040. Da mesma forma, o compromisso global de aumentar o investimento em infraestruturas mais ecológicas recebeu o impulso da vitória de Biden. Megatendências como energias renováveis, transporte ecológico ou a melhoria da conectividade digital são também poderosos tail winds”.

Laura Donzella: Nordea 1 Alpha 10 MA Fund

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Tal como explica Laura Donzella, responsável de Vendas da Nordea AM para a Península Ibérica, América Latina e Ásia, a estratégia Alpha  MA é uma solução alternativa líquida com um perfil médio de volatilidade, que oferece liquidez diária e conta com um objetivo de rentabilidade misto entre as obrigações e as ações. “A gestão do risco é um pilar fundamental do seu inovador  enfoque de investimento sustentado em mais de 10 anos de experiência. Através de princípios de equilíbrio de riscos e estratégias direcionais, a carteira obtém uma baixa correlação com as classes de ativos tradicionais, assim como uma evolução independente ao mercado (market neutral), sendo capaz de navegar satisfatoriamente bear markets de elevada volatilidade”, sublinha.

Carla Bergareche: Schroder GAIA Helix

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“Sempre defendemos que o investimento em ativos alternativos deverá ser algo estrutural nas carteiras dos investidores, não algo tático. O nosso fundo multiestratégia e market neutral Schroder GAIA Helix há dois anos que cumpre o seu objetivo de oferecer de maneira isolada o alfa das que considera ser as melhores estratégias da casa. Assim, num ano gerou cerca de 10% de rentabilidade, com um nível de volatilidade em torno dos 4-6%. Está a construído para oferecer proteção nas quedas e uma rentabilidade independente do comportamento do mercado. Acreditamos que é um fundo chave para o contexto atual, no qual o beta do mercado está interdito e em que o panorama de lucros das empresas é complicado, agravado pelo COVID, pela pressão fiscal e por uma expansão quantitativa exaustiva”, aponta a diretora-geral da Schroders para Portugal e Espanha, Carla Bergareche.

Álvaro Cabeza: UBS Equity Opportunity Long Short 

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No novo contexto que vivemos, extremamente em mudança, o responsável da UBS AM para a Península Ibérica considera que a gestão alternativa redobra o protagonismo. “A capacidade de identificar os vencedores e perdedores de amanhã é o fator-chave na geração de alfa e descorrelação. Max Anderl, gestor na UBS AM  e com um histórico que o suporta, explora as ineficiências do mercado através do UBS Equity opportunity Long Short, explorando de forma oportunista as ineficiências do mercado de ações globais. As decisões de investimento baseiam-se num modelo que combina análise fundamental, quantitativa e qualitativa. A estratégia procura gerar um retorno positivo, comprando ações sobre as quais o gestor tem uma visão positiva e, ao mesmo tempo, colocando-se curto nas ações sobre as quais as perspetivas são negativas”, conclui Álvaro Cabeza.