O que explica o auge dos temáticos em 2020

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Após a movimentação correlacionada mais rápida do mercado do último século veio uma forte subida dos ativos acompanhados de fluxos positivos em ações. O que explica esta resiliência? Oportunismo? Inteligência financeira? Otimismo? Se arrancarmos a superfície dos bons dados de fluxos líquidos para fundos de ações globais veremos outra mensagem: na realidade, 2020 foi o ano dos temáticos.

Segundo dados que comentou na Noite da Amundi Vafa Ahmadi, diretor de Ações Temáticas Globais na CPR AM (Grupo Amundi), pode ver-se claramente a mudança na narrativa nos fluxos do ano passado. Na realidade as ações globais sofreram saídas líquidas. Mas a entrada em temáticos foi de tal envergadura que compensou a foto final na categoria.

O que explica a procura por temáticos?

O que explica a procura por temáticos? Segundo Ahmadi, há três motores em jogo.

Primeiro, a incerteza. O alto nível de incerteza em março de 2020 levou os investidores a querem concentrar-se em ideias ou apostas mais visíveis ou prováveis. A olhar além do ruído do momento. E isto é precisamente o que vendem os temáticos. Ao fim e ao cabo são estratégias que procuram capitalizar tendências seculares. E em princípio não deverão ver-se impactadas pela COVID-19. Algumas como a digitalização até aceleraram graças à pandemia.

Segundo, a disrupção. É algo sobre o qual se tem vindo a falar há muito tempo. E agora a disrupção acelerou a uma escala massiva. Comércio eletrónico, o trabalho a partir de casa, a aprendizagem/escolarização a partir de casa… Todas são tendências já latentes antes desta crise, mas que ganharam anos de expansão em apenas meses.

Terceira, o investimento socialmente responsável. Se em 2020 se falou de temáticos, a temática por excelência foi o investimento sob critérios ESG. Muitas estratégias com uma abordagem sustentável foram apresentadas em formato de temáticos.

“A disrupção não é coisa de um ano. Nem se trata apenas do boom tecnológico”, afirma Ahamadi. Após um exercício tão bom em captações e rentabilidade, é lícito perguntar se as valorizações estão ajustadas. Mas para o especialista da Amundi, ainda há caminho a percorrer. “O motor dos temáticos está intacto e até a acelerar”, vaticina.