Update do Muzinich Global Tactical Credit Fund: como a subida das taxas impactará o crédito

Michael McEachern, Muzinich.
Michael McEachern, Muzinich. Créditos: Foto cedida

As principais economias começam a reabrir e já se está a notar nos dados macro. Mas algo demasiado bom também pode ter o seu efeito negativo. Como ressalta Michael McEachern, os números da recuperação estão mais fortes do que o esperado. E isso está a exercer maior pressão sobre as taxas. “Ainda que na Muzinich nos estejamos há algum tempo a preparar para um movimento de subida das taxas, acredito que é surpreendente a rapidez com a qual se moveram as taxas americanas e europeias”, reconhece o gestor do Muzinich Global Tactical Credit Fund.

E isto está a dar aso a novas perguntas. Até onde podem chegar as taxas a longo prazo? Há espaço suficiente nos spreads de crédito para compensar a subida das taxas com spreads mais ajustados?

Durante os primeiros meses de 2021, o mercado moveu-se como o gestor esperava. Os sólidos fundamentais manteriam o crédito numa posição na qual haviam menos vendedores e, portanto, os spreads iriam estreitar-se. E assim foi. As taxas subiram. Pelo contrário, as áreas de crédito mais sensíveis, como o high yield ou o investment grade e os empréstimos bancários foram as que melhor se comportaram.

O fundo, com Selo FundsPeople 2021, pela sua classificação de Blockbuster, entrou no ano com o objetivo de manter-se afastado das taxas e estar mais próximo da neutralidade. Isto foi conseguido ao reduzir a duração em investment grade e high yield. O seu posicionamento em high yield estava mais próximo da duração curta. Também mantiveram mais liquidez e aumentaram a sua exposição a emissões bancos de curta duração.

Mas, para McEachern, o que vimos em março foi que os spreads de crédito têm um limite. “Agora estamos a ver spreds planos perante a subida das taxas. Daí as rentabilidades negativas e ampliação dos spreads em algumas áreas como os mercados emergentes”, conta.  Após o movimento de fevereiro, os spreds mantêm-se em geral sem mudanças ou estão mais largos (a partir de 9 de março).  Ainda que o high yield de menor classificação (obrigações com classificação B e CCC) tenha continuado a ter um bom comportamento.

Até onde podem chegar as taxas a longo prazo?

É a grande pergunta do momento. Até onde podem chegar as taxas a longo prazo? Após um movimento de 60 pontos base no Tesouro americano a 10 anos, McEachern antecipa umas semanas de pausa. Agora estamos a ver quedas no investment grande dos EUA, que baixou cerca de 4,5% este ano. O gestor espera que as taxas estabilizem e que as yields nivelem.

Na sua opinião, ainda há muitos dados bearish em torno do crescimento, por via da reabertura económica e do aumento da inflação, incorporados nas taxas atuais. “Já estamos a ver um forte crescimento do PIB nos Estados Unidos e um certo ressurgimento da inflação. O presidente da Reserva Federal já fez menção a isso. E isso assustou os mercados. Ainda há um risco claro de subida das taxas, mas acredito que as taxas poderão manter -se na faixa atual a curto prazo”, prevê.

Produziu-se uma importante revalorização, mas os riscos continuam com um viés bullish. Espera-se que o fluxo de notícias económicas seja positivo à medida que a economia mundial avance para uma plena reabertura.

E uma nova correção seria uma oportunidade. Outro movimento bullish das taxas poderá representar um ponto de entrada atrativo para acrescentar duração. Porque para McEachern o cenário a longo prazo é que o crescimento económico e a inflação voltarão às tendências benignas anteriores ao início da pandemia.

Posicionamento do Muzinich Global Tactical Credit Fund

Assim, o Muzinich Global Tactical Credit Fund está preparado para uma subida das taxas. “Provavelmente será uma boa oportunidade para que o high yield consiga uma rentabilidade superior”, afirma. Nas estratégias de crédito procuram minimizar a queda da classificação de investment grade e obter alguma rentabilidade do high yield. “O que considero que será mais difícil se os únicos créditos que rendem são as obrigações com classificação B e CCC”.

O gestor deteta um possível ponto de entrada interessante no extremo de maior qualidade das obrigações de investment grade se as taxas experimentarem outro movimento bullish. Enquanto isso, é provável que mantenham a sua posição atual nas suas estratégias de crédito. “A menos que vejamos outro movimento de subida das taxas, que será o catalisador para um reposicionamento da carteira para ativos de maior duração”, adianta.