10 anos de IMGA: o processo de internacionalização, a gestão de patrimónios e a expansão da oferta

Emanuel Silva (IMGA)
Emanuel Silva Créditos: Cedida (IMGA)

10 anos depois de a IM Gestão de Ativos ter nascido em Portugal, as notícias a relatar pela entidade são positivas. Atingiu o patamar dos cinco mil milhões de euros de montante gerido recentemente, e mantém-se no trilho da internacionalização, destacado já em várias ocasiões pelo CEO, Emanuel Silva. Em entrevista à FundsPeople, o profissional falou do contínuo objetivo de serem “uma gestora universal”, e ainda sobre o processo de criação de uma área de gestão de patrimónios, e também os novos produtos na calha.

Sobre o objetivo dos cinco mil milhões de euros de montante gerido alcançados, o responsável da entidade não tem dúvidas de que os acordos com redes de distribuição que foram firmando ao longo dos anos foram essenciais. São já 11 as entidades que distribuem fundos IMGA, um patamar que diz ter sido o “desejável”. Ainda assim, querem consolidar esse número e expandi-lo, nomeadamente através da criação de novos produtos a serem distribuídos. Também o fundo de mercado monetário da casa, criado ao abrigo da legislação europeia, foi uma das variáveis de sucesso para o montante alcançado. Já tem mil e seiscentos milhões de euros de ativos geridos e, apesar de toda a exigência de “acompanhamento e monitorização decorrente das regras europeias”, é um fundo que, segundo o CEO, "tem corrido bastante bem, com uma rentabilidade muito apelativa", apresentando-se como uma solução alternativa e financeiramente mais vantajosa comparativamente aos depósitos bancários e certificados de aforro”. 

Na equação do sucesso, Emanuel Silva acrescenta ainda outro fator: o crescimento no campo institucional, principalmente via high net worth individuals. Refere-se ao processo de Autorização de Residência para Investimento (ARI), para o qual têm vários fundos elegíveis. Um deles é o IMGA Ações Portugal, que atingiu já mais de 325 milhões de euros. No total, conta, têm cerca de 350 milhões de euros alocados por parte de investidores do programa ARI (golden visa).

Novos fundos: financiamento de empresas locais e PPR

A intenção da IMGA é alargar a oferta, muito em breve. Sendo um dos temas caros para a entidade, a necessidade de financiamento e capitalização das empresas portuguesas, como já feito no passado com o lançamento do IMGA PME Flex, a entidade apostará mais uma vez no lançamento de produtos similares. “Estamos a olhar com bastante atenção para os OIA que podem investir em PME, com classificações de rating que são atribuídas internamente pela sociedade”. O segmento das empresas, destaca Emanuel Silva, é um dos que darão mais atenção no futuro. “A questão da capitalização e financiamento da economia local é um tema que nos tem absorvido bastante”, assinala.

Na parte dos fundos mobiliários, a estratégia passa por alargar a oferta dos PPR/OICVM, incluindo na gama o IMGA PPR Crescimento, cuja exposição a ações será a mais alargada da gama. “Passamos a ter a perfilagem completa no campo dos PPR/OICVM. Faremos, naturalmente, alguma dinamização junto dos distribuidores para que adicionem também este fundo à atual oferta”, refere.

Clientes estrangeiros impulsionam gestão de patrimónios

A área de gestão patrimonial, há muito indicada como um campo que querem pisar, está a ser ultimada. “Temos andado a preparar a parte da gestão patrimonial para a conseguir fazer bem. Andamos a preparar os sistemas e a estrutura de forma adequada. Nós somos muito conservadores naquilo que é a abordagem ao negócio”, confessa Emanuel Silva.

O plano é conseguirem desenvolver as atividades de advisory e gestão de carteiras, a partir de valores entre os 250 e 500 mil euros e, segundo conta, “muito na lógica do cliente com um perfil institucional ou family office”. Esse cliente, adiciona Emanuel Silva, já entra pela porta da entidade, “decorrente do programa ARI”. Explica mesmo que já “têm uma série de clientes estrangeiros que têm pedido novos serviços e novas soluções”. Mas este não é o único caminho que vê para essa área. O CEO da IMGA entende que outras entidades, que não têm “estrutura para fazer gestão patrimonial”, poderão ser clientes da sociedade gestora neste âmbito. “Há algumas entidades que eventualmente estão interessadas em ter soluções de gestão patrimonial fornecida por nós, de igual forma que têm os nossos fundos na sua oferta”, explica.

Outra porta que querem abrir em breve é a dos fundos imobiliários abertos. Emanuel Silva atesta que querem lançar “soluções abertas” no campo dos imobiliários, “tanto quanto possível, líquidas”.

Estabelecer acordos globais de distribuição

O processo de internacionalização da entidade tem sido muito manifestado pela sociedade gestora. E, mais uma vez, segundo conta o responsável, o programa ARI é um percursor de dinamismo nesse sentido, pois tem permitido “abrir uma série de portas noutros mercados”. O CEO conta que “têm estado a analisar vários mercados - europeus e não europeus”, apesar de não poder ainda desvendar quais. Adianta que querem criar parcerias internacionais que permitam estabelecer Global Distribution Agreements com clientes institucionais, tal como outras “grandes entidades internacionais fazem em Portugal”.

O tamanho da entidade não assusta Emanuel Silva neste processo. Justifica que os fundos da casa “já atingiram uma dimensão crítica mínima”, que lhes permite serem considerados por entidades terceiras.  “Em Portugal existem grandes entidades internacionais que vêm aqui fazer o placement dos seus fundos através de um conjunto de agentes. Temos o mesmo objetivo, obviamente atendendo à nossa dimensão que é mais pequena. Temos de tentar, passo a passo”, conclui.