Algumas gestoras começam a reduzir as suas perspetivas sobre as ações

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Créditos: Kaleb Tapp (Unsplash)

Há duas semanas teve lugar o pior sell-off dos Estados Unidos em dois anos, que acabou por afetar todos os mercados. As empresas de distribuição de consumo de retalho viram-se especialmente prejudicadas pelos maus resultados do Walmart e da Target nos EUA, que refletiram tendências preocupantes nos gastos dos consumidores e nas margens. Os receios de recessão ressurgiram, e as yields da dívida pública baixaram, a primeira vez em semanas onde as obrigações atuaram como refúgio. Os dados económicos, particularmente o índice Empire Manufacturing e o Philadelphia Business Outlook, não cumpriram as expetativas e situaram-se em mínimos que pareciam augurar uma economia débil. No entanto, os bancos centrais mantiveram a sua mensagem restritiva.

A Reserva Federal assinalou que o seu objetivo é controlar a inflação sem disparar alarmes sobre os enormes custos económicos que isto acarretará. Enquanto a situação continuar assim, e os mercados acreditarem, da BlackRock não veem fundamento para uma recuperação sustentada dos ativos de risco.

"A autoridade monetária americana tomará em algum momento em consideração os custos da sua política para o crescimento, sobretudo se a inflação arrefecer, e esperamos uma rotação para uma postura mais acomodatícia na segunda parte do ano. A desaceleração da China representa um forte choque que se continuará a sentir durante algum tempo. Cortamos ainda mais risco e passámos as ações dos mercados desenvolvidos para neutral", afirmam.

As bolsas marcaram novos mínimos de 2022 perante o temor de que as prenunciadas subidas de taxas de juro provoquem uma desaceleração do crescimento. O panorama que observam na entidade é mais positivo, mas, tal como preveem, pode não ficar claro até daqui a uns meses.

Mais prudência

Na Edmond Rothschild AM também se mostram agora mais prudentes relativamente aos ativos de risco, em especial no que respeita ao mercado de ações. "Dadas as circunstâncias, continuamos a ser cautelosos com as ações. As recuperações técnicas são sempre uma possibilidade, mas os riscos económicos a médio prazo são cada vez maiores", indicam. Também continuam com reservas quanto à duração, especialmente na Europa. "As obrigações do Tesouro norte-americano parecem ter tido em conta, na sua maioria, as futuras subidas de taxas, pelo que poderão atuar como refúgio se os temores de recessão se agravarem", apontam.

A última temporada de resultados foi positiva, mas há dúvidas em alguns setores

A temporada de resultados do primeiro trimestre foi concluída recentemente. Como se viu, para a maioria das empresas, o clima empresarial permanece bastante positivo, apresentando forte crescimento de receitas e lucros. O aumento não foi tão forte como em 2021, mas para as empresas cotadas no S&P 500 dos EUA, as receitas e os lucros cresceram numa percentagem baixa. “Olhando para o resto do ano, as estimativas de lucros não estão a ser revistas em alta, mas também não estão a cair acentuadamente. É uma conquista bastante significativa”, diz Frank Thormann, gestor de ações multi-regionais da Schroders.

No entanto, existem alguns setores que apresentam mais dificuldades e nos quais se vislumbram desafios no horizonte. “Um dos que registaram quedas nos lucros no primeiro trimestre foi o financeiro, principalmente os bancos. Isto deveu-se, em grande parte, ao aumento das provisões para perdas. É preciso lembrar que as perdas bancárias com empréstimos duvidosos têm sido baixas desde há muito tempo, então as provisões aumentaram a partir do que era, provavelmente, um nível insustentavelmente baixo", explica o especialista.

De acordo com Thormann, é possível que muitas dessas provisões durem relativamente pouco. “A grande questão será se a Fed pode desenhar uma aterragem económica suave, ou se a economia acabará em recessão. Obviamente, se entrarmos em recessão, os bancos podem enfrentar um aumento dos incumprimentos".

Outro setor que está a passar por um momento difícil é o industrial. "Tudo o que implique fabricar bens físicos e enviá-los para todo o mundo, enfrenta uma situação muito complexa por esta altura. Há muita pressão de custos nas cadeias de fornecimento", conclui.