A gestora Invesco publicou o seu décimo terceiro estudo anual sobre Global Sovereing Asset Management. Os resultados baseiam-se nas opiniões de 141 profissionais de investimento de alto nível, incluindo diretores de investimento, responsáveis por classes de ativos e estratégias de carteiras que provêm de 83 fundos soberanos e 58 bancos centrais de todo o mundo. No total, gerem 27 biliões de dólares em ativos.
Mais gestão ativa
Uma das primeiras conclusões do estudo é o aumento da preferência desses investidores institucionais por estratégias de gestão ativa. Isso ocorre num contexto de aumento da incerteza e volatilidade provocadas pelo aumento dos riscos geopolíticos.
Atualmente, esses investidores já mantêm 70% das suas carteiras em estratégias ativas, tanto em rendimento fixo como em ações. Além disso, 52% planeia aumentar as suas alocações à gestão ativa em ações e 47% fará o mesmo com o rendimento fixo.
Os diferentes usos das obrigações
Outra tendência revelada pelo estudo é a crescente importância que as obrigações estão a assumir nas carteiras. Isso ocorre tanto no mercado de capitais quanto no mercado de dívida privada, num contexto de normalização das taxas de juros.
No que diz respeito aos títulos cotados, 24% dos fundos soberanos planeia aumentar a sua exposição às obrigações nos próximos dois meses. A razão por trás deste interesse não se deve apenas à normalização das taxas de juro, mas também ao facto de serem utilizados como ferramenta para gerir a liquidez num contexto de aumento das posições destes investidores em mercados alternativos ilíquidos. De facto, quase 60% dos investidores em obrigações soberanas afirma utilizar instrumentos de liquidez formalizados. Por isso, segmentam as suas carteiras de rendimento fixo para compensar a falta de liquidez das suas exposições nos mercados privados.
"As obrigações já não se limitam a uma posição defensiva e sem risco, mas tornaram-se uma parte dinâmica e versátil da carteira", afirma Rod Ringrow, responsável de Instituições Oficiais da Invesco. "À medida que o mercado vai estruturando a mudança, crescem as necessidades de liquidez. Além disso, as hipóteses de retorno-risco evoluem. As obrigações estão a assumir um papel mais amplo na gestão estratégica de carteiras, cumprindo várias funções simultaneamente. Já não atuam apenas como âncora defensiva", esclarece.
Nos mercados privados, a exposição a obrigações privadas continua a ganhar terreno nas carteiras dos fundos soberanos. De facto, 50% dos fundos soberanos planeiam aumentar as suas alocações durante o próximo ano. Hoje, 44% dos investidores acedem a esta classe de ativos através de investimentos diretos ou coinvestimentos, 14 pontos a mais do que no ano passado. O acesso baseado em fundos também cresce de 56% para 63%.
China sim, mas sendo muito seletivos
Outras duas tendências destacadas no relatório referem-se aos mercados emergentes e à inclusão de ativos destes mercados, e ao facto dos fundos soberanos estarem a adotar uma abordagem mais digital nas carteiras.
No que diz respeito aos mercados emergentes, a Ásia continua a ser uma prioridade de investimento para 43% dos inquiridos. A China volta a ganhar posições nas carteiras, despertando o interesse de 28% dos inquiridos, mais 8 pontos do que em 2024. No entanto, defendem que, ao abordar o gigante asiático, é cada vez mais importante adotar uma estratégia seletiva em setores específicos. Entre eles, destaca-se a tecnologia.
No que diz respeito aos ativos digitais, o número de fundos interessados está a crescer, embora de forma tímida. 11% dos fundos soberanos já realizam investimentos diretos em ativos digitais, contra 7% no ano passado.

