Alinhar as carteiras com o caminho da neutralidade carbónica

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A poucos meses da COP26 em Glasgow, o presidente dos Estados Unidos envia um forte sinal ao convocar os agentes económicos globais com poder de tomada de decisão para abordar as mudanças climáticas. Neste contexto, a Amundi convidou Sagarika Chatterjee, director of Climate Change dos PRI e líder da COP26 High Level Champions Team para, em conversa com Jean-Jacques Barbéris, da gestora francesa, partilhar a sua análise sobre o significado e as implicações deste evento significativo.

Desafiada a colocar-se nos sapatos dos investidores, Sagarika Chatterjee releva aquela que é para si a principal conclusão: “Os Estados Unidos estão em movimento, e isso vai moldar  – está já a moldar – significativamente a paisagem política”.

Para a profissional, um investidor com um portefólio global não pode ficar indiferente ao facto de um conjunto significativo de países terem aderido aos objetivos net-zero de emissões de carbono até 2030. EUA, Japão, Canadá, China, Coreia do Sul, a União Europeia, o Reino Unido… “São economias muito significativas, provavelmente representadas numa parte significativa dos portefólios de investimento e onde o comboio já saiu da estação”, diz.

Tudo se resume a como é que o investidor está posicionado para perceber o que estão os governos destes países a fazer no sentido da neutralidade carbónica. Quais são os caminhos que estão a seguir e o que significam ao nível de cada setor da economia. Isto porque caminho net-zero não é só um pedacinho de green bonds, ou um pedacinho de desinvestimento em carvão, mas sim algo transversal, que impacta todos os setores”, atesta a profissional. Para Sagarika Chatterjee, todo e qualquer segmento da economia terá que se adaptar e, para os investidores, perceber a raiz e os caminhos a percorrer nesse sentido poderá representar uma oportunidade.

Por outro lado, questiona o que vão os governos esperar do setor financeiro. No contexto da COP 26 existe hoje em dia uma campanha denominada de race-to-zero que inclui 160 empresas do setor financeiro. Empresas que se comprometeram com um plano robusto no sentido da neutralidade carbónica. “Este tipo de compromisso retroalimenta os projetos dos governos e eleva ainda mais as expectativas”, exclama.

“Em suma, para os investidores, a questão das alterações climáticas nos portefólios não deve ser olhada apenas na perspetiva do risco climático, mas sim numa perspetiva de alinhar as carteiras com os objetivos net-zero. Como vamos lá chegar, quem está bem posicionado e onde estão as oportunidades para financiar a transição”, explica, são as perguntas a fazer. “Existem uma infinidade de ferramentas práticas para ajudar e os gestores estão muito bem posicionados para trabalhar com os clientes no sentido de estes se posicionarem na vanguarda do alinhamento com os objetivos net-zero”, conclui.