Análise histórica da inflação: o que acontece no mercado antes e depois dos grandes picos

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Créditos: Florian Klauer (Unsplash)

Já atingimos o pico da inflação, ou ainda estamos à beira de mais dor em termos de aumento dos preços? A verdade é que ainda há demasiadas incógnitas e fatores macroeconómicos para optar por um lado ou outro do argumento. O grande dilema com o atual contexto macroeconómico é que muito poucos profissionais financeiros já trabalharam num ambiente de inflação de dois dígitos nos países desenvolvidos. Assim, temos de voltar à história do mercado para procurar um roteiro sobre o que nos pode esperar.

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Teun Draaisma e Henry Neville, gestores da equipa de Multiativos do Man Group, fizeram isso mesmo. Mediram o retorno real anualizado das principais classes de ativos durante os períodos de inflação, concentrando-se nos últimos seis meses antes dos oito maiores picos de inflação e nos 6 e 12 meses após o pico. Embora os retornos passados não garantam retornos futuros, três grandes tendências podem ser observadas em momentos anteriores a dados históricos da inflação.

Três tendências em tempos de inflação

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Em primeiro lugar, que os ativos tradicionais, como as ações e as obrigações, sofrem com a inflação. Especialmente nos últimos seis meses até ao pico da inflação, quando há uma espécie de crescente na correção, em parte na antecipação da recessão que normalmente faz com que a inflação alcance o seu ponto máximo. Neste momento, as matérias-primas, as ações long/short momentum e o fator trend têm bom desempenho até ao fim do regime de inflação.

Em primeiro lugar, que os ativos tradicionais, como as ações e as obrigações, sofrem com a inflação. Especialmente nos últimos seis meses até ao pico da inflação, quando há uma espécie de crescente na correção, em parte na antecipação da recessão que normalmente faz com que a inflação alcance o seu ponto máximo. Neste momento, as matérias-primas, as ações long/short momentum e o fator trend têm bom desempenho até ao fim do regime de inflação.

Em segundo lugar, o pico da inflação em si coincide com um grande ponto de viragem positivo para os ativos tradicionais. Pelo contrário, as matérias-primas e o long/short dão a volta e sofrem após o pico.

Terceira conclusão. Cinco grandes ativos e/ou estratégias são relativamente insensíveis ao pico da inflação. Quatro destes continuam a ter um bom desempenho antes e depois do pico da inflação, historicamente: estratégias que seguem tendências, ouro, TIPS e ações de qualidade long/short. Há outra que para de cair após os picos da inflação, mas também não oferece retornos positivos: a high yield.

E o que fazemos com esta informação? Na opinião dos gestores, ainda não estamos perto de um ponto de viragem para as ações. "Independentemente de a inflação estar ou não a atingir o pico, os bancos centrais estão a aumentar as taxas numa economia em desaceleração, enquanto os nossos modelos de ações não nos dizem para comprar", argumentam.

Pelo contrário, diriam que o mercado de obrigações se aproxima de um ponto interessante. As yields subiram mais, há muitas notícias agressivas sobre o preço e uma desaceleração do crescimento nominal é geralmente boa para as obrigações, não é má.