As palavras de Lagarde refletem-se no leilão de dívida portuguesa desta semana

Dívida portuguesa, As palavras de Lagarde refletem-se no leilão de dívida portuguesa desta semana
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Depois das palavras de Christine Lagarde da semana passada vimos um claro efeito no mercado de obrigações. “O efeito líquido é que o mercado adiantou o momento de descolagem das taxas para a segunda metade deste ano”, explicava Paul Brain, responsável de obrigações da Newton (BNY Mellon IM) num comentário após a mais recente reunião do BCE. Já vimos o bund alemão a 10 anos subir acima dos 0% pela primeira vez desde maio de 2019. Agora, vê Brain, é de esperar que as yields em geral continuem a subir.

Portugal e a sua dívida não ficaram, claramente, imunes a essas palavras e isso refletiu-se no leilão desta quarta-feira. Portugal foi aos mercados emitir 544 milhões em obrigações do tesouro a seis anos e 706 milhões, a nove anos, num total de 1.250 milhões. As subidas nas taxas, em comparação com os leilões comparáveis, foram substantivas. Na emissão a seis anos, vimos uma subida na taxa de -0,162% para os 0,603% e na emissão a 9 anos, 0,127% para os 1,008%.

"A subida que estamos a assistir no prémio de risco de Portugal, é um reflexo do movimento que temos tido em todas as dívidas soberanas e que acabam por refletir as novas posições que os bancos centrais têm vindo a adotar. Na Europa, o Banco Central Europeu, adotou uma posição mais hawkish, face a uma inflação que tem sido mais persistente, o que poderá implicar que os programas de compras de ativos acabem já este ano e posteriormente poderemos assistir a uma subida das taxas, que a acontecerem deverá ser no final de 2022 ou início de 2023", comenta Filipe Silva, diretor de Investimentos do Banco Carregosa.

Segundo indica o profissional, "os países da periferia têm sido mais prejudicados com o seu spread versus a Alemanha a aumentar". No entanto, acredita que "este movimento acaba por refletir a normalização do mercado, face a uma economia mais robusta", com um regresso a um contexto de taxas positivas e spreads ajustados ao risco de cada uma das economias, "à medida que vão saindo do mercado os Bancos Centrais com os seus programas de compra de ativos”, explica Filipe Silva.