Ativos em fundos portugueses voltam a superar valores de 2010

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No Insights Portugal, Carla Mãe, Diretora do Departamento de Supervisão Prudencial e Autorizações da CMVM elogiava a resposta da indústria de fundos nacional ao contexto de mercado causado pela pandemia e alertava que sendo “imprevisível qual será o impacto desta nova fase da pandemia” será importante “que as sociedades gestoras mantenham o foco na gestão dos principais riscos a que os fundos se encontram sujeitos“.

No entanto, apesar dos números avassaladores que ocupam as primeiras páginas dos jornais, vemos que a indústria nacional de fundos teve em 2020 um ano que coroou uma série de exercícios positivos, em termos da evolução dos ativos sob gestão, e trouxe o montante total em fundos nacionais para um valor não visto desde 2010.

De facto, em dezembro de 2020, o valor sob gestão dos organismos de investimento coletivo em valores mobiliários (OICVM) totalizou os 14.368,6 milhões de euros, mais 474,1 milhões (3,4%) do que em novembro e mais 1.725 milhões de euros (+13,6%) do que os 12.643,6 do início de 2020. Um ano fantástico, portanto. Nos fundos de investimento alternativo (FIA), o valor mensal sob gestão decresceu 3,6% para 300,2 milhões de euros, e 15% face aos 354,2 milhões de euros do final do ano de 2019.

Considerando as duas categorias de fundos, vemos que as estratégias de investimento domiciliadas em Portugal atingiram os 14.668,8 milhões de euros no final de 2020, um valor que não se atingia desde 2010. Em termos de número de fundos observamos que, apesar do decréscimo dos ativos sob gestão, o número de fundos alternativos aumentou numa unidade, enquanto que os OICVM fecharam o ano com 141 estratégias, menos quatro do que no início do ano. Esta redução foi especialmente impulsionada pelos movimentos de reorganização de oferta do último mês do ano, como veremos abaixo.

Reorganização em dezembro

Segundo os dados divulgados pela CMVM, em dezembro deu-se a fusão por incorporação de três fundos de ações geridos pela Montepio Gestão de Ativos, concretamente, do Montepio Acções, Montepio Capital e Montepio Acções Internacionais, no Montepio Acções Europa.

Deu-se ainda a fusão por incorporação do fundo de NB Ações Europa da GNB Gestão de Ativos no NB Momentum, nascendo assim o NB Momentum Sustentável.

Entidades gestoras

Em termos de entidades gestoras, o movimento mais relevante em termos de quota de mercado é a ascensão da IM Gestão de Ativos ao lugar de segunda maior entidade gestora de fundos mobiliários nacional, enquanto a Caixa Gestão de Ativos se manteve destacada na liderança.

Entre as entidades gestoras mais pequenas, vemos a Bankinter GA e a Invest GA a conquistar quota de mercado e ascender no ranking, enquanto a Montepio GA seguiu o caminho inverso.

De destacar também o desaparecimento da Popular Gestão de Ativos do ranking, depois de finalizada a incorporação na Santander AM.

Recordamos que o último ano e meio tem sido fértil em novas entidades gestoras de fundos mobiliários no mercado, nomeadamente da Sixty Degrees, Biz Capital, e Casa de Investimentos.