Avaliações das gestoras após a primeira emissão de eurobonds

Christian Lue, Unsplash.

Feito histórico na União Europeia. Na terça-feira a Comissão Europeia conseguiu colocar 20.000 milhões de euros na sua primeira emissão de eurobonds destinada a financiar o fundo de recuperação da UE. A procura ascendeu a 142.000 milhões de euros e os 20.000 milhões de euros colocados têm um vencimento a 4 de julho de 2031 e uma taxa de juro inferior a 0,1%, conforme revelam as agências.

Esta operação marca um antes e um depois na coesão da União, já que como indicam na Portocolom “este modelo era até há pouco tempo um tema tabu em alguns países, especialmente na Alemanha. Dez anos depois, a reação na Europa é bem distinta à da crise anterior: os governos assumiram as quedas nos ganhos das famílias e empresas, pondo em marcha um plano europeu de recuperação inimaginável há dez anos”.

É preciso ter em conta que por detrás dessa grande procura encontra-se o facto de este tipo de obrigações oferecer maiores garantias do que as obrigações nacionais. Por isso, as suas taxas são baixas. “Efetivamente, a União Europeia está a tornar-se mais soberana em algumas das suas políticas de gestão de dívida, o que provavelmente a vai estabelecer ainda mais como um emissor regular de elevada qualidade de obrigações líquidas”, afirma Peter Allen Goves, analista de obrigações da MFS Investments.

A primeira de muitas

Esta operação é a primeira das muitas previstas, já que, como comenta, Filipe Silva, diretor de Investimentos do Banco Carregosa, “o objetivo da Comissão Europeia para este ano é de financiar-se em 80 mil milhões“, sendo que “a distribuição desta liquidez deverá começar a ocorrer a partir de agosto e é mais um importante passo para a recuperação da economia europeia.”

Na mesma linha, Patrick O’Donnell, diretor de Investimentos na Aberdeen Standard Investments, afirma que “no total serão emitidos, 80.000 milhões de euros em obrigações, em conjunto com os 10.000 milhões em títulos de curto prazo, dependendo das necessidades exatas de financiamento. A CE oferecerá uma atualização em setembro, com a possibilidade de rever o financiamento quando estiverem mais claras as necessidades individuais dos estados membros”.

Também haverá uma importância crescente da oferta de green bonds dado que até 30% do NGEU poderá vir em formato de green bonds. É provável que isto seja um impulso importante para o setor.