A confiança dos investidores continua a aumentar e o apetite pelo risco mantém-se elevado em agosto. No entanto, os gestores globais parecem ter cedido espaço a uma rotação mais diversificada nas carteiras. É o que reflete a última edição da Global Fund Manager Survey, inquérito publicado pelo BofA, que reúne a opinião de 197 gestores com um total de 475.000 milhões de dólares sob gestão.
O inquérito realizado em julho mostrava que o otimismo dos investidores se centrava numa aposta recorde no setor tecnológico, especialmente nas Sete Magníficas, com um posicionamento geográfico invulgarmente forte na zona euro e com o dólar como a operação mais procurada. Em agosto, a pesquisa mostra uma mudança de rumo: a sobreponderação líquida em ações globais sobe para 14%, mas com uma rotação da Europa para os mercados emergentes (37% dos gestores a sobreponderam, o máximo desde fevereiro de 2023). Além disso, observou-se um aumento nos setores de serviços públicos, energia e bancos, em detrimento de uma redução acentuada no setor de saúde, que regista a sua menor percentagem desde 2018.
91% dos gestores inquiridos considera que as ações estão sobrevalorizadas, contra 87% em julho, o que representa um recorde histórico. Em contrapartida, os mercados emergentes são vistos como os mais subvalorizados (segundo 49% dos inquiridos, o valor mais alto desde fevereiro de 2024). Embora a operação mais concorrida volte a ser a longa das Sete Magníficas, a cautela aumentou e há sinais de rotação para outros setores e regiões geográficas, como é o caso dos mercados emergentes.
Aterragem suave como cenário dominante
Este mês, a probabilidade de uma aterragem brusca da economia global está no nível mais baixo desde janeiro (5%), enquanto a liquidez caiu um histórico 3,9%, reforçando assim um posicionamento mais agressivo. 68% dos inquiridos antecipa uma aterragem suave, 22% não prevê aterragem e apenas 5% prepara-se para uma recessão.
Por outro lado, as expetativas de crescimento global continuam fracas, mas a confiança na redução das taxas atinge o nível mais alto desde dezembro de 2024 (78%). Além disso, mais de metade dos inquiridos (54%) acredita que o próximo presidente da Fed recorrerá à flexibilização quantitativa (QE) ou ao controlo da curva de taxas (YCC) para aliviar o peso da dívida dos EUA, contra 36% que descartam essa possibilidade.
O maior risco percebido continua a ser uma guerra comercial que leve a uma possível recessão, mas a percentagem registada caiu de 31% em julho para 29%. Seguem-se uma inflação que impeça cortes da Fed (27% contra 20% em julho), um aumento desordenado das yields das obrigações (20% contra 11% no mês passado) e a possível bolha da IA (14% contra 10% em julho). Esta mudança mostra uma mudança das preocupações de fatores puramente geopolíticos para riscos de mercado e política monetária.
IA, cripto e ouro
O debate sobre a inteligência artificial intensifica-se mais um mês: 55% dos inquiridos acredita que já está a impulsionar a produtividade (contra 42% em julho), enquanto 41% considera que existe uma bolha nas ações ligadas à IA. Apesar da rotação geral, o protagonismo continua a ser das Sete Magníficas, mantendo-se a força dos valores de IA nas carteiras. Isto evidencia que a narrativa tecnológica continua presente, embora já não monopolize a estratégia de investimento.
As criptomoedas, por sua vez, continuam com uma baixa penetração nas carteiras: apenas 9% dos gestores têm exposição, com um peso médio de 3,2%, o que representa 0,3% do total do inquérito. O ouro, por outro lado, está presente em 48% das carteiras, com um peso médio de 4,1% entre aqueles que o possuem (2,2% no total).

