Cinco factos sobre o mercado de investimento ESG pelo olhar da CMVM

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No recentemente divulgado relatório Risk Outlook 2021, a CMVM mostrava-se muito assertiva no que aos Riscos ESG diz respeito, e alertava para a “importância da consideração dos riscos ESG por todos os agentes dos mercados financeiros, sob pena das consequências da inação serem irreversíveis e financeiramente irrecuperáveis”.

Além de uma análise detalhada dos riscos específicos que toda a temática do investimento ESG e sustentável encerram, a entidade reguladora deixa claro no relatório o quanto os produtos financeiros ESG têm crescido nos últimos anos, “passando de um produto de “nicho” de mercado para mainstream”, realçando alguns factos sobre o mercado, de onde se destacam cinco:

Tamanho do mercado e crescimento esperado – “Na Europa, o principal mercado destes produtos, os ativos ESG nas carteiras dos fundos de investimento representam 15,1% do total no final de 2019, sendo previsto que venham a atingir entre 41% e 57% em 2025. No caso americano, as entradas de fluxos em fundos ESG neste país em 2019 quadruplicaram face ao ano anterior, para um total de 21 mil milhões de USD, o valor mais elevado até à data, de acordo com dados da Morningstar”.

Exposição institucional – “A exposição dos vários setores institucionais da zona Euro a fundos ESG cresceu 20% no início de 2020, no contexto da pandemia COVID-19. Este aumento reflete uma alteração nas preferências dos investidores, que desinvestiram em produtos financeiros não ESG (diminuição entre 1% e 8% no primeiro trimestre de 2020, dependendo do setor institucional) em favor de produtos ESG (aumentos entre 4%e 10%).”

Obrigações verdes e sociais – “Os investimentos em obrigações verdes (green bonds) também aumentaram, tendo, no final do primeiro trimestre de 2020, o stock investido neste tipo de obrigações atingido os 197 mil milhões de euros na zona Euro. A emissão deste tipo de dívida por bancos aumentou igualmente: no terceiro trimestre de 2020 as emissões de obrigações verdes por bancos corresponderam a 13% do total emitido por bancos na zona Euro, contrastando com os 4% verificados nos primeiros 3 meses do ano. A emissão de obrigações ‘sociais’ também está a aumentar, porventura em virtude de estes títulos oferecerem aos emitentes maior flexibilidade no uso dos montantes colocados, o que poderá levantar questões associadas ao greenwashing.

Iniciativa nacional e situação em Portugal – “Em Portugal, em outubro de 2020 estavam registados cinco fundos ESG que, em conjunto, administravam 283 milhões de euros subscritos por 20.133 participantes, maioritariamente pessoas singulares. As subscrições líquidas destes fundos foram positivas nos anos de 2017 a 2019 e também nos 10 primeiros meses de 2020. Não obstante, os fluxos líquidos de investimento diminuíram no segundo e terceiro trimestres de 2020, por comparação com idênticos trimestres do ano anterior. Em 2019, estes fundos ESG registaram, para o mesmo grau de risco, rentabilidades comparáveis às de fundos que não possuíam estratégia de investimento sustentável. De acordo com as respetivas políticas de investimento, estes fundos ESG excluem da carteira as entidades que originam direta ou indiretamente externalidades negativas (estratégia de negative/ exclusionary screening), como as relacionadas com combustíveis fósseis, tabaco e armamento, entre outros. De modo a garantir que o investimento é efetuado em ações de empresas que se distinguem pelas melhores práticas em termos de sustentabilidade, dois desses fundos recorrem expressamente às empresas listadas no STOXX ® Sustainability Index. Um dos fundos seleciona os investimentos em obrigações que respeitam os constituintes do Barclays MSCI Euro Corporate SRI + ESG Index.”

“Uma das consequências da situação pandémica terá sido uma menor prioridade das questões relativas à sustentabilidade como critério para a seleção de investimentos efetuados pelos investidores institucionais. Tal não terá ocorrido nos fundos de investimento mobiliário domiciliados em Portugal pois, com exceção dos 5 fundos ESG, os investimentos dos demais fundos em ativos com características ESG tem sido tradicionalmente muito reduzido.”

PRIIP com caráter ESG – “Nos anos de 2019 e 2020 foram igualmente distribuídos em Portugal alguns pacotes de produtos de investimento de retalho (PRIIPs), cuja designação sugeria a presença de características ESG. Estes produtos possuem como subjacente um índice ESG (e.g., STOXX®Global ESG Leaders, MSCI Europe ESG Leaders) ou um cabaz pré-definido de empresas listadas em índices ESG, pelo que o respetivo retorno para o investidor está associado àquelas características. Todavia, os montantes colocados não tinham como propósito o financiamento de investimentos com características de sustentabilidade.”

https://fundspeople.com/pt/greenwashing-regulacao-e-o-peso-da-mesma-a-analise-da-cmvm-aos-riscos-esg/