Como diferiu a alocação dos fundos perfilados moderados face aos mais defensivos em 2021?

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Créditos: Sen (Unsplash)

Analisadas as alocações a classes de ativos e geografias das carteiras médias dos fundos perfilados nacionais com um nível risco mais defensivo, chegou a vez dos fundos com um perfil de risco moderado. Será que os valores mostram uma alocação significativamente diferente destas estratégias face às estratégias conservadoras?

Obrigações não ajudaram na performance

Semelhantemente ao que observámos com as estratégias conservadoras, no conjunto dos 14 fundos perfilados moderados, as obrigações, em média, diminuíram o seu peso nos portefólios destes produtos ao longo do último ano. Se em janeiro de 2021 este ativo tinha um peso, em média, de 52% nas carteiras, em dezembro já era de 46%.

Decisões de alocação que, pelas palavras dos gestores nas fichas mensais dos fundos, são compreensíveis devido ao comportamento do mercado obrigacionista em 2021. Por exemplo, o gestor do IMGA Alocação Moderada, Fernando Nascimento da IM Gestão de Ativos, comentava em outubro que "os segmentos obrigacionistas foram penalizados com a subida das taxas de juro e o alargamento dos spreads de crédito, tendo os mercados acionistas valorizado com os bons resultados do 3.º trimestre".

Como tal, um comportamento oposto é demonstrado pela alocação a ações. Se em janeiro os fundos registavam um peso, em média, de 38% a este ativo, em dezembro era de 40%. Na verdade, o valor máximo de exposição às ações foi de 41% em outubro de 2021, altura em que o S&P 500 teve o seu melhor mês do último ano.

Efetivamente, Paulo Joaquim, gestor do NB Equilibrado da GNB Gestão de Ativos, mencionava na ficha mensal que o fundo evoluía de forma positiva, mas “penalizado pela evolução da componente obrigacionista, beneficiando, no entanto, da prestação positiva das componentes acionista e de outros ativos”.

Fonte: FundsPeople e Morningstar. Dados com referência a 31 de dezembro de 2021.

Alocação geográfica das ações

Ao observamos o gráfico referente à alocação geográfica da componente acionista, podemos concluir que os valores mantiveram-se praticamente estáveis, à exceção da região norte-americana que foi a região cuja alocação mais variou durante 2021. Não obstante, verificou-se um ligeiro aumento na exposição à Europa desenvolvida, que subiu 0,55 pontos percentuais, e à América Latina, uma vez que os gestores destes fundos aumentaram a sua exposição a esta região, em média, 0,39 pontos percentuais.

Fonte: FundsPeople e Morningstar. Dados com referência a 31 de dezembro de 2021.

Em sentido contrário, a exposição à Ásia emergente teve a maior descida (0,48 p.p.) e, ainda que marginalmente, a Europa emergente também perdeu preponderância (0,27 p.p.).

Alocação geográfica das obrigações

Relativamente à alocação geográfica da componente obrigacionista, a clara perdedora foi a região da Europa desenvolvida, com uma descida de 8,38 pontos percentuais nas carteiras dos fundos perfilados moderados. O refúgio revelou-se ser a região da América do Norte, subindo 2,4 p.p. ao longo do último ano.

Fonte: FundsPeople e Morningstar. Dados com referência a 31 de dezembro de 2021.

Alocação das obrigações por categoria

No que concerne às subcategorias das obrigações, as obrigações corporativas foram as que perderam menos peso, em média, nas carteiras destes fundos. Por outro lado, as obrigações soberanas que em janeiro de 2021 detinham um peso médio 25% nos portefólios dos fundos perfilados moderados, diminui cinco pontos percentuais até dezembro.

Fonte: FundsPeople e Morningstar. Dados com referência a 31 de dezembro de 2021.

Face à alocação dos fundos perfilados defensivos, e depois da exposição mínima atingida em novembro, é possível notar que, no último mês do último ano, os gestores dos perfilados moderados decidiram, em média, aumentar mais significativamente a exposição a obrigações soberanas. Um movimento que ocorreu numa altura em que, como Paulo Joaquim comentava na ficha mensal do NB Equilibrado, "o mercado de dívida governamental apresentou um retorno negativo, com subidas relevantes de yields em ambos os lados do Atlântico".


De recordar que, em 2021, incluídos nesta análise estão os seguintes fundos perfilados: Bankinter 50 PPR/OICVM, BPI Reforma Investimento PPR/OICVM, Caixa Moderado PPR/OICVM, Caixa Wealth Moderado, Caixa Seleção Global Moderado, NB Equilibrado, IMGA Alocação Moderada, Montepio Multi Gestão Equilibrado, Optimize Capital Reforma PPR/OICVM Equilibrado, Optimize Selecção Base, Popular Global 50, Santander Private Moderado, Santander Select Moderado, Smart Invest PPR/OICVM Moderado.