Como a operação Amundi-Lyxor muda o mapa da indústria da gestão de ativos

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O anúncio da Amundi de que está em negociações para comprar a Lyxor é um movimento sísmico de primeira magnitude na indústria de ETF. Trata-se da integração dos que atualmente são o terceiro e o quinto maior provedor de fundos cotados na Europa. Não obstante, também tem implicações importantes no que diz respeito ao setor no seu conjunto.

Começando pela parte da gestão passiva, a Lyxor é a terceiro maior do mercado europeu no negócio de ETF. Gere 77.000 milhões de euros neste campo, o que representa uma quota de mercado de 7,4%. A Amundi, por sua vez, conta com outros 65.000 milhões e uma fatia de 6,6%. A combinação de ambas dará lugar a uma empresa com 142.000 milhões no negócio dos fundos cotados e uma quota de mercado de 14%.

Ultrapassará a DWS

A primeira consequência desta integração é o surgimento do segundo maior provedor de ETF da Europa. Segundo dados da Refinitiv, ultrapassará a DWS, entidade que atualmente ocupa esta posição com 117.000 milhões em ativos sob gestão. A soma Amundi-Lyxor ficaria como primeiro provedor made in Europe, sendo apenas superada pela BlackRock, líder indiscutível na Europa com 450.000 milhões de património e 45% da quota de mercado.

Mais concentração

A segunda consequência desta operação será um setor ainda mais concentrado. Haverá menos um provedor e, portanto, menos oferta para o cliente. Se até agora as 10 maiores gestoras de ETF da Europa englobavam 93% do património, com este movimento essa percentagem aumentará ainda mais. As entidades que estão fora do top 10 apenas representam 7% dos ativos restantes. Estamos perante um negócio onde há concentração a mais (porque o dinheiro procura as entidades grandes e, porque as entidades grandes compram provedores pequenos).

Os 10 maiores provedores de ETF da Europa

captações obrigações
Fonte: Refinitiv no fecho de 2020. Dados em euros.

Gestão ativa

Não obstante, esta operação corporativa não só afetará a indústria de ETF. Cabe recordar que a Lyxor conta atualmente com otros 47.000 milhões em gestão ativa que provêm principalmente da sua plataforma de alternativos. Este volume extra permitirá à Amundi consolidar-se como a segunda maior gestora por ativos da Europa. Se no fecho de 2020, conforme dados da Refinitiv mostram, tinha 445.000 milhões, agora passará para quase 640.000.

Unicamente na parte da gestão ativa, a nova Amundi contará com um património que rondará os 400.000 milhões, um volume semelhante ao que tem a J.P.Morgan AM a nível europeu em estratégias geridas ativamente.

As 10 maiores gestoras da Europa

captações obrigações
Fonte: Refinitiv no fecho de 2020. Dados em euros.