Duas ideias ibéricas na carteira do Jupiter European Growth

Jupiter European Growth, Duas ideias ibéricas na carteira do Jupiter European Growth
Mark Nichols e Mark Heslop. Créditos: Cedida (Jupiter AM)

A dupla Heslop e Nichols celebra dois anos ao leme do Jupiter European Growth. Os dois Mark assumiram o comando deste fundo-bandeira após a substituição do gestor estrela, Alexander Darwall, que deu um passo atrás, após mais de 15 anos na boutique, para fundar o seu projeto pessoal, a Devon Equity Management. Os próprios cogestores deram o salto para Jupiter AM vindos da Columbia Threadneedle, onde lideraram estratégias de sucesso em ações europeias.

Nestes dois anos à frente do fundo, priorizaram sempre dar continuidade à filosofia de growth de qualidade que tem caracterizado o Jupiter European Growth. “Preferimos ignorar o ruído do dia-a-dia do mercado. Não podemos mudar a carteira sempre que há uma mudança no governo de um país.  Esta obsessão com os PER e os múltiplos de um determinado trimestre parece-nos um pouco inútil”, insistem. Bottom-up, de alta qualidade e crescimento secular sustentável a longo prazo.  Nesta frase, Heslop e Nichols resumem as bases do que procuram numa empresa. E são qualidades que se encontram em vários nomes ibéricos.

Alta qualidade ibérica: o caso da Amadeus e da Fluidra

Durante um evento recente, os gestores comentaram duas ideias no portefólio com cunho ibérico: a Amadeus e a Fluidra.  

Pode parecer contraditório que uma estratégia que se define como growth aposte, através do Amadeus, num setor tão afetado como a aviação. “Estamos perante o líder global de soluções de dados e tecnologia no setor das viagens e hotelaria. Sempre que se compra um bilhete de avião, passa pela Amadeus”, explica Nichols.  É verdade que a empresa enfrenta riscos como alterações nos hábitos de viagem de trabalho ou atraso na recuperação dos volumes. Mas a favor tem um modelo de negócio altamente consolidado com uma base de clientes muito fragmentada.

É a aposta em líderes com uma posição forte e dominante.  É também o caso da Fluidra. A empresa transformou um nicho de mercado como a construção de piscinas no seu domínio. “Têm a maior e mais completa oferta de produtos, bem como a mais inovadora. E com o seu crescimento continuam a financiar o desenvolvimento tecnológico da sua gama”, detalha o gestor. Assim, a Fluidra tornou-se a escolha padrão de todos os profissionais das piscinas. Além disso, 70% do crescimento provém de serviços pós-venda, o que gera um lucro recorrente.  

E com a Fluidra temos um exemplo perfeito do verdadeiro poder que a capacidade de fixação de preços concede.  O custo da instalação de uma piscina de 2011 a 2019 passou de 25.000 euros, em média, para 45.000. Tanto devido à inflação como ao aumento dos produtos associados à instalação de uma piscina. “Como são a alternativa tudo-em-um para os profissionais, podem transferir esses aumentos”, afirma Nichols.

O conceito de qualidade para o Jupiter European Growth

Ambos os nomes são bons exemplos da filosofia do Jupiter European Growth. O fundo procura construir uma carteira focada em negócios de qualidade. Ou seja, margens elevadas e retorno sobre o capital alto e uma vantagem competitiva que lhes dá poder de fixação de preços. E não basta apostar nos líderes do momento. “Queremos entender o que vai fazer com que a empresa mantenha o seu crescimento sustentável a longo prazo”, afirma Heslop. Ou seja, procuram as fontes dessas vantagens competitivas. Elementos como o efeito network, a fidelização da marca, a propriedade intelectual, a escala ou a inovação. “Trata-se de determinar de onde virá esse crescimento”, explica.

E uma abordagem na qualidade mantém-se mesmo com mercados em máximos. “O risco final de investir em ações é perder tudo. E muitas vezes os investidores focam-se demasiado na cotação atual e não o suficiente na força do negócio. O problema é que sem qualidade no balanço o risco de ficar a zero é acentuado em tempos de crise”, defende. O profissional compreende os medos que surgem com altas avaliações, mas também interpreta como um risco a tentação de virar demasiado para o value. “Os mercados tendem a subestimar o valor da qualidade a longo prazo. A realidade é que uma empresa pode sustentar um crescimento elevado mais tempo do que o mercado está disposto a aceitar", afirma o gestor. É a tentação de vender os vencedores só por uma questão de bom desempenho.