Eleger um fundo de ações emergentes: Atenção aos fatores desconhecidos que marcam a rentabilidade destes produtos

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Créditos: Aaron Burden (Unsplash)

Eleger um fundo para investir em emergentes não é tarefa fácil. Em muitas ocasiões, os investidores vão às cegas, no sentido de que não têm muito claros quais são os aspetos que condicionam os resultados dos produtos. Existem fatores que estão a determinar a rentabilidade destes fundos e que, em certas ocasiões, ficam fora da análise. Um estudo realizado por Juan José González de Paz e pela sua equipa, ao qual a FundsPeople teve acesso, permite perceber muitas coisas sobre esta questão. E… atenção! Há surpresas.

O trabalho de campo levado a cabo pelo consultor sénior na equipa de Solutions da Natixis Investment Managers foi realizado tanto sobre o universo de ações emergentes como de obrigações emergentes. No que respeita ao universo de ações emergentes, o estudo pode-se dividir em duas partes. A primeira centra-se em analisar o mercado. A segunda em analisar, dentro da vasta amalgama de fundos globais de ações emergentes, quais são os fatores que, em maior medida, condicionam a evolução das estratégias que oferecem os melhores resultados.

Fundos globais de ações emergentes: análise do mercado

Antes de começar a disseminar quais são esses fatores que determinam a rentabilidade dos produtos é fundamental analisar o que está a acontecer no mercado a nível setorial, geográfico e por estilos. E o primeiro que chama à atenção é a grande disparidade setorial. “Alguns setores, como o tecnológico, estão ao comportar-se muito bem. Outros, como o de real estate, estão a ficar para trás. São níveis de dispersão muito semelhantes aos de 2008. Nas ações emergentes estamos a ver novos super ciclos”, afirma González de Paz.

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Fonte: Natixis IM.

A nível regional, o que ocorreu é uma alternância de poder entre duas das regiões mais importantes do mundo emergente. A América Latina, que estava na vanguarda há uma década, vem perdendo peso nos índices a favor da Ásia. “Foi uma grande surpresa. A Ásia emergente teve um desempenho melhor. Tem oferecido uma rentabilidade muito elevada com menor volatilidade, o que a posiciona como uma região defensiva dentro do universo emergente de ações”, explica o especialista.

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Fonte: Natixis IM.

No que diz respeito à análise por estilos, o que tem ocorrido no mundo emergente é um melhor desempenho relativo de growth face o value. “O excesso de retorno de crescimento acumulado em relação ao MSCI Emerging Markets Index tem sido maior desde 2011, uma tendência que se acelerou a partir de 2018. Um estilo costuma ser o espelho do outro. Quando um sobe, o outro desce em termos relativos”.

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Fonte: Natixis IM.

Vejamos… quais são os fatores que determinam os resultados dos fundos de ações emergentes? É uma questão distinta.

Fundos globais de ações emergentes: análise do peer group

Relativamente à exposição dos fundos incluídos na categoria ações globais emergentes, uma das conclusões mais contundentes é que, apesar do melhor desempenho do growth face ao value, o peso médio deste estilo nas carteiras de fundos de mercados emergentes não tem vindo a aumentar ao longo do tempo. A sua ponderação permaneceu num nível muito semelhante ao longo do tempo. “O facto de os gestores, em geral, não terem aumentado a exposição ao crescimento é surpreendente”, reconhece o especialista. Por outro lado, aumentaram a exposição ao segmento de large caps.

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Fonte: Natixis IM.

E também à Ásia, região que vem ganhando peso em portefólios de forma bastante notória. A nível setorial, houve um aumento da exposição ao setor de tecnologia e redução do setor financeiro.

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Fonte: Natixis IM.

Não obstante, o facto de que a tecnologia, a Ásia e o growth terem sido o setor, a região e o estilo que mostraram um melhor comportamento não significa que estes fatores tenham sido determinantes para a rentabilidade dos fundos englobados dentro desta categoria. “O que se passa nos mercados não é o que se passa nos fundos. Há uma certa influência dos primeiros sobre os segundos, mas não é simétrica. Por exemplo, a nível regional, a China teve um comportamento muito bom. E, não obstante, os fundos nem sempre tiveram uma exposição tão alta ao seu mercado”, recorda González de Paz.

"Se fizemos uma análise dos 610 produtos do peer group e selecionar aqueles que estão dentro do primeiro quartil levando em consideração quatro características (exposição ao growth, Ásia emergente, tecnologia e sustentabilidade), pode-se observar claramente que os fatores que tiveram mais influência na rentabilidade dos produtos com os melhores resultados são dois: growth e sustentabilidade. A grande diferença é esta. O growth tem um alto rating de sustentabilidade, um alto rating de lucratividade de 3-5 anos e um rácio de Sharpe mais alto”, explica o especialista.

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Fonte: Natixis IM.
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Fonte: Natixis IM.

Ou seja: nem a exposição setorial, nem a exposição geográfica, nem exposição por capitalização acionista, nem mesmo estrutura de portefólio (concentrada ou não)... O que realmente importa quando se explica a rentabilidade de um fundo de ações emergentes tem sido o seu grau de exposição ao estilo growth e à sustentabilidade, o que, afinal, valorizaria a importância de uma gestão ativa, atendendo também à elevada dispersão existente neste universo de investimento.