Emanuel Silva (IMGA): “Os FCR configuram soluções alternativas que num cenário de baixas taxas de juro podem oferecer a obtenção de melhores rendibilidades”

Vitor Duarte

A procura por mudança e inovação foi excecional durante este ano. As necessidades e o comportamento dos investidores mudaram e a oferta por parte das sociedades gestoras teve de acompanhar. A equipa da IM Gestão de Ativos (IMGA) tem vindo ao longo dos últimos anos a desenvolver soluções de investimento que complementam essas necessidades.

O último trimestre deste ano trouxe consigo o lançamento de um novo segmento de negócio na entidade, o de capital de risco. Em entrevista à FundsPeople, a entidade introduz o lançamento dos fundos de capital de risco como uma solução alternativa de investimento que cada vez é mais procurada por parte dos investidores face ao cenário de baixas taxas de juro. “A oferta de fundos de capital de risco é claramente complementar à oferta de fundos de investimento mobiliário da IMGA e foi desenvolvida em linha com o plano estratégico da sociedade de estar presente nos diferentes segmentos de mercado, estratégia em fase de implementação no  triénio de 2020 a 2022, estando estabelecido que o próximo segmento de mercado a desenvolver será a gestão de patrimónios, que se encontra agora em fase de preparação de meios e recursos necessários para o efeito.”, começa por introduzir Emanuel Silva, presidente da Comissão Executiva da IMGA.

Clientes institucionais, locais e internacionais

A entidade tem vindo a verificar notório crescimento em clientes no segmento de retalho, “contando atualmente com mais de 3 mil milhões de euros em ativos sob gestão subscritos por mais de 150 mil clientes”. Apesar do crescimento neste espetro, a equipa da IMGA em entrevista à FundsPeople esclarece que o objetivo deste novo segmento de FCR será orientado principalmente para “clientes institucionais, locais e internacionais, e para clientes private, classificados de acordo com a DMIF como contrapartes elegíveis e profissionais”. Mas qual o racional por detrás desta decisão? Emanuel Silva justifica a decisão por este ser um tipo de investimento que oferece uma oportunidade para potenciar rentabilidades mais atrativas, diversificar investimentos, mas há que ter em conta o limite de liquidez associada a estes instrumentos. “Todos os fundos que estamos a preparar para lançamento são fundos fechados, com uma duração entre os sete e os 10 anos e com uma estratégia de saída (exit) bem delineada”, defende o profissional.

A entidade conta que no âmbito da promoção da liquidez inerente para os participantes dos FCR, a sociedade gestora registará todos os fundos na Interbolsa, para além dos vários acordos estabelecidos de distribuição com comercializadores.

Estruturação da equipa

O processo de estruturação da equipa da IMGA para esta nova área de negócio e a respetiva obtenção da licença foram pontos também abordados pelo presidente Emanuel Silva. O profissional refere que apesar da IMGA, na qualidade de SGOIC, já ter a respetiva autorização para a atividade, é necessário cumprir todos os requisitos legais e normativos. Como tal, a entidade preparou ao longo do primeiro semestre deste ano toda a logística necessária. “Foram feitos investimentos significativos em meios e recursos, tendo sido constituída uma equipa específica para desenvolvimento autónomo desta atividade, em linha com a visão de negócio existente e com base nos melhores princípios e orientações do setor”, justifica.

Diversidade de produtos e visão para 2021

A variedade na oferta é uma componente de extrema importância para marcar a posição de um produto no mercado. Neste sentido, a equipa da IMGA pretende alcançar uma boa variedade de soluções para os seus clientes. Para isso,“o primeiro FCR a ser disponibilizado é o Mondego Invest, num montante de 50 milhões de euros, que investe em soluções de gestão de grandes superfícies comerciais, por exemplo supermercados e outras grandes superfícies comerciais”, apresenta o profissional da sociedade gestora.

A complementar a oferta, no mês de novembro foi lançado um fundo que investirá em Co-Working e Co-Living num montante de 20 milhões de euros. Para o sucesso desta estratégia, a equipa da IMGA conta com a experiência e conhecimento de um promotor internacional de referência neste segmento de atividade.

Para além destas estratégias, a sociedade gestora pretende lançar até ao final do ano “três novos fundos de capital de risco, destinados ao investimento nos segmentos de (i) Vida Sénior Assistida, (ii) Turismo e Hotelaria e (iii) Energia e Mobilidade”, como conta o profissional. Para o próximo ano, a entidade também já delineou a sua visão e está previsto o lançamento de mais produtos em setores que apresentem elevado potencial em termos de taxas de retorno.

Expansão nacional e internacional

A estratégia base de distribuição que a entidade tem vindo a adotar mantém-se. “Estabelecer acordos com entidades financeiras de referência para o desenvolvimento da atividade de distribuição”, destaca Emanuel Silva. Em território nacional a equipa da IMGA conta com seis entidades distribuidoras e, em 2021, prevê alargar o leque a mais três entidades.

Por último, mas não menos importante, Emanuel Silva no que concerne à internacionalização dos FCR refere que esta “passa por estabelecer acordos internacionais com centrais de clearing e plataformas especializadas que permitirão alargar a capacidade de distribuição internacional das soluções de investimento promovidas pela sociedade e também dar resposta à crescente procura de soluções de investimento por parte de investidores estrangeiros, nomeadamente de produtos financeiros que permitam obter elegibilidade para efeitos de ARI – Autorização de Residência para a Atividade de Investimento”.