Emília Vieira (Casa de Investimentos): "Investir em ações a um ano ou dois não faz sentido; tentar adivinhar e entrar e sair do mercado é um jogo perdedor"

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Investidores em valor, que procuram “valor de qualidade excecional” que se possa “comprar a desconto” pela “margem de segurança” que isso proporciona e para “potenciar os retornos no futuro”. A filosofia da Casa de Investimentos é já bem conhecida do mercado. Depois de, no final de 2019, terem adicionado a valência de gestora de fundos mobiliários à gestão de patrimónios, a filosofia da casa vê-se agora veiculada também num fundo de investimento. O racional? “Ao longo dos anos, fomos conquistando um público que nos segue e se identifica com os princípios da filosofia de investimento, com os valores que a Casa defende e com a nossa estratégia de investimento a longo prazo que não segue modas ou faz timing de mercado. Muitos destes fãs e seguidores da Casa não tinham ainda os 100 mil euros que são necessários para a abertura de contas individuais. São sobretudo pessoas com patrimónios mais baixos ou que apesar de terem patrimónios significativos, não querem começar a investir em ações com valores tão elevados”, explica Emília Vieira, CEO da entidade gestora de Braga em entrevista à FundsPeople.

A Casa de Investimentos caminha agora em “duas avenidas”, como afirma a profissional. “Por um lado, reforça a sua capacidade de prestar um serviço de elevada qualidade aos patrimónios mais elevados com um acompanhamento profissional e personalizado”, no seguimento do reforço das equipas de investimentos, comercial e operacional. “Por outro, através da plataforma digital, disponibiliza o Fundo Casa Global Value PPR/OICVM, com a mesma filosofia de investimento e com uma carteira de investimentos e gestão muito semelhante à gestão de carteiras de patrimónios elevados”, aponta. A entidade gestora disponibiliza uma plataforma que denominou de Save & Grow, onde “os clientes têm também a “comodidade de poderem abrir conta, subscrever o fundo, fazer reforços, resgatar, consultar os investimentos em que se encontram investidos podendo aceder à sua conta sete dias por semana, 24h por dia”. 

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"Um fundo PPR beneficia de um enquadramento fiscal que incentiva o investimento a longo prazo, sobretudo para períodos de detenção superiores a oito anos. Isto tem muito a ver com o horizonte de investimento que sempre privilegiámos."

Falamos de uma estratégia de investimento de ações, global, com uma abordagem bottom-up, isto é, onde “o foco passa por analisar e avaliar oportunidades concretas de investimento, construindo a partir daí o melhor portefólio possível numa lógica permanente de análise risco-retorno”, segundo a CEO da entidade gestora. “Não quer isto dizer que somos alheios à situação atual económica ou específica de determinadas regiões ou setores. O que temos é a preocupação de, conscientemente, focar a atenção da equipa na análise de determinados setores ou empresas que nos pareçam promissoras ou então situações que o mercado possa estar a interpretar de uma forma diferente ao nosso julgamento e onde possamos detetar oportunidades de valor”.

Pacote PPR

Dada a flexibilidade permitida aos fundos PPR desde que foram retirados os limites ao investimento em ações, várias foram as razões que orientaram a Casa de Investimentos na escolha desta estrutura para lançar o seu primeiro fundo no mercado. “Em primeiro lugar, um fundo PPR beneficia de um enquadramento fiscal que incentiva o investimento a longo prazo, sobretudo para períodos de detenção superiores a oito anos. Isto tem muito a ver com o horizonte de investimento que sempre privilegiámos. Investir em ações a um ano ou dois não faz sentido; tentar adivinhar e entrar e sair do mercado é um jogo perdedor. Apesar da grande flexibilidade de levantamento, se o investidor o desejar e precisar de o fazer, se se mantiver investido vai colher, por via da capitalização de valorizações, os benefícios do efeito “bola de neve” a que muitas vezes se refere o senhor Warren Buffett”, explica Emília Vieira. Adicionalmente, aponta, “com esta configuração, os clientes que estiverem descontentes com a diminuta ou mesmo ausência de rendimento de outros PPR que ainda detenham, podem migrar esses valores para o nosso fundo, sem custos e com preservação da antiguidade”.

Pessoas e abordagem

A equipa executiva, composta pelos administradores da Casa de Investimentos, é a responsável pela estratégia global e pela adequação de todas as equipas ao crescimento do negócio. “Gostamos de o fazer com tempo e preferimos ter uma estrutura sobredimensionada para acomodar o crescimento e assegurar um serviço de primeira qualidade”, comenta Emília Vieira.  Foi aliás o que fizeram nos últimos anos enquanto aguardavam pela autorização para ser gestora de fundos. “Preparámos a área de compliance, reforçámos a estrutura operacional, reforçámos a equipa de investimentos e a equipa de administração com a entrada de António Murta como administrador independente e de Nuno Lopes Gama, que ocupava o cargo de Head of Innovation na Sonae. O Nuno Lopes Gama entrou na Casa em 2019 com o objetivo de escalar o negócio e prepará-lo com tecnologia aliada a um rigoroso desenho de processos que nos permitem agora estar muito bem apetrechados para chegar, por via digital e com a melhor experiência, a milhares de clientes, como ambicionamos. Já muito recentemente contratámos o Davide Catarino, com experiência de gestão comercial em grandes empresas dos setores financeiro e de retalho para reforçar a equipa comercial ao nível institucional e junto de Family Offices, clientes particulares e empresas com patrimónios elevados ou disponibilidade para considerar o nosso fundo PPR como benefício para os seus colaboradores”, descreve a CEO.

Por seu lado, a equipa de investimentos “é responsável pela implementação da filosofia de investimento em valor. A estratégia é definida em comité de investimentos e em consonância com a equipa executiva da Casa. A equipa de analistas tem formação de grande nível internacional, tem experiência e, sobretudo, partilha da filosofia e tem o gene do valor. Cada analista acompanha um conjunto de empresas que temos em carteira, as notícias sobre essas empresas, as apresentações de resultados e a concorrência mais direta”.

Os parceiros operacionais e a distribuição

No campo do depósito e custódia a entidade elegeu o BiG como depositário e o BNP Paribas como custodiante. “Quando procuramos parceiros financeiros temos sempre três grandes preocupações: a segurança da instituição, a sua capacidade operacional nos mercados internacionais (nomeadamente eficiência, segurança e rapidez de colocação de ordens) e o preço a que nos prestam estes serviços. O Banco BiG foi a nossa escolha por consideramos assegurar estes três requisitos. O facto de o BNP Paribas ser o custodiante final, também pesou na decisão de trabalharmos com o BiG. O BNP Paribas é nosso parceiro financeiro desde a fundação da Casa”.

Com duas classes previstas inicialmente, apenas a classe Founders está disponível neste momento, aquela cuja distribuição é assegurada diretamente pela Casa de Investimentos no portal Save & Grow. “A classe Founders é isso mesmo, são os primeiros, os mais convictos e que estão muito familiarizados e em sintonia com a filosofia de investimento, com a estratégia de longo prazo e com a nossa propensão para adicionar conhecimento financeiro com bastante valor. Os clientes Founders têm, e terão sempre, a comissão mais baixa de entre as classes de retalho e um conjunto de regalias especiais entre as quais o acesso às nossas cartas trimestrais, que gozam de grande qualidade de informação sobre mercados e sobre a carteira de investimentos e decisões de gestão que tomamos”, explica Emília Vieira. O objetivo da entidade gestora é que os investidores Founders “ajudem nesta campanha de literacia financeira, num contexto de taxas de juro zero e em que muitos têm os seus valores investidos sem rendimento”.  A comissão de gestão desta classe é de 1,4% e a taxa de encargos correntes, onde se inclui aquela comissão, é de 1,76%. O investimento mínimo são mil euros.

Na revista FundsPeople de maio e junho será detalhado o processo de investimento do Casa Global Value PPR/OICVM numa segunda parte da entrevista a Emília Vieira.