Entramos na fase de destruição da procura nas matérias-primas

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Cristina Dondiuc. Créditos: Fidelity Internacional

What’s growing on? O que muitos investidores têm visto crescer numa conjuntura de mercado em que as quedas são, em grande parte, a norma, são os preços das commodities. Oportunidades bem colhidas para alguns, uma preocupação crescente para outros, dependendo do lado da barricada em que se posicionaram. 

What’s growing on? é também o nome que a Fidelity International deu ao mais recente roadshow ibérico que contou com Cristina Dondiuc, diretora de Investimentos e especialista em ações emergentes na sua passagem por Lisboa. Uma passagem onde a especialista alertou para a necessidade de cautela, no que ao investimento em matérias-primas diz respeito. 

Antes de mais, Cristina Dondiuc colocou em cima da mesa os números que mostram as razões pelas quais o conflito no leste da Europa tem impactado tanto os mercados de commodities. “Sabemos que a Rússia providencia entre 10 a 15% das necessidades médias diárias de petróleo, no mundo. Representa 12% do fornecimento de gás, a nível global, e 40% só na Europa. 20% do trigo e milho, 40% do potássio e outros fertilizantes. E claro, todos ouviram falar do níquel recentemente”, expõe. 

Para a profissional, a mensagem chave, perante as subidas de preços é a relativa tranquilidade que as próprias empresas russas transmitem nas conversas regulares com a equipa de mercados emergentes da Fidelity. “O que as empresas nos dizem é que continuam a fornecer todas estas commodities. Menos que no passado, mas continuam a vender e, consequentemente, a receber dinheiro por isso”, diz Cristina Dondiuc. Para a especialista, esta mensagem consolida a ideia de que o mercado - o de futuros em particular - deu um passo maior do que a perna na incorporação de expetativas. “O dinheiro e as matérias-primas estão a movimentar-se”, alerta. 

Entramos na fase de destruição da procura

Expostos os factos, a especialista indica que na Fidelity e na equipa de mercados emergentes, em particular, estão muito cautelosos no que a abordagem ao investimento em matérias-primas diz respeito. “Não é, na nossa opinião, a altura certa para comprar tudo o que possa estar relacionado com commodities. Muitos dos riscos estão já refletidos no preço. Beneficiários-chave, como a África do Sul e a América Latina, são já alguns dos mercados com melhor performance este ano”, aponta. 

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Desta forma, para Cristina Dondiuc a próxima fase de toda esta dinâmica será a fase da destruição da procura. “Se os preços se mantiverem altos ou continuarem a subir - e podem continuar a subir - vão começar a afetar o consumidor final e a produção; de tal forma que isso impactará a procura. As subidas de preços estão a tornar-se destrutivas”, exclama e reforça e seguida. “Mantemos exposição, mas somos muito cautelosos na possibilidade de adicionar posições”. 

Um sweet spot

Para Cristina Dondiuc há uma exceção em toda esta dinâmica: o cobre. “Não estando a fazer, de modo algum, uma previsão do preço do cobre, o que fazemos é uma previsão de crescimento significativo nos setores relacionados com a automação, veículos elétricos e semicondutores. Para se produzir baterias e microchips é preciso cobre”, explica. Com isto em mente, a equipa de mercados emergentes está investida em empresas como a First Quantum Minerals e Southern Copper Corporation, duas das “melhores exploradoras mineiras , ao menor custo”. “É uma aposta na procura por cobre e na sustentação dessa procura”, conclui.