Estará todo o mercado em risco em caso de uma bolha? Talvez não

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Créditos: Michal Lomza (Unsplash)

As cinco características expostas pela Richard Bernstein Advisors, um parceiro da empresa norte-americana iM Global Partner, que parecem indicar que existe uma bolha no mercado de ações, não vão implicar que todo o mercado de equity esteja em risco.

Como explica Richard Bernstein, fundador, CEO e CIO da entidade, nos últimos três anos, apenas três dos 11 setores económicos do S&P 500 superaram o mercado. E estes três setores - tecnologia, serviços de comunicação e consumo discricionário - estão no centro da bolha.  “O resto do mercado ficou para trás e o setor energético perdeu mais de 15%. O desempenho do índice Russell 2000 de pequena capitalização ficou em oitavo ou nono lugar da tabela, por isso o mercado em geral ficou para trás”.

Qual seria o lado certo do balancé?

Na gestora americana continuam a ver o mercado de ações como um balancé em que o mercado é o ponto de apoio. “Estar do lado certo desse balancé nos próximos anos pode ser mais importante do que ter uma opinião sobre o mercado e do que a consequente alocação global de ações”.

De facto, as carteiras da entidade continuam a centrar-se naquilo que consideram ser o lado conservador do balancé. Ou seja: energia, materiais, finanças, indústria e cíclicos de menor capitalização. “Além disso, a nossa ponderação nas carteiras de ações não americanas é a mais alta da história da RBA. Os mercados não americanos não participaram na bolha na mesma medida e parecem apresentar oportunidades atrativas”, sublinha.

Onde estará o maior risco?

Na sua opinião, o mercado como um todo não parece estar necessariamente em risco. No entanto, as estratégias focadas no que lidera a bolha do mercado parecem-lhes muito arriscadas. Neste sentido, destaca que a história mostra que os ativos na bolha geralmente demoram muito tempo a recuperar.

O gráfico abaixo mostra a rentabilidade do Nasdaq desde o pico da bolha tecnológica em março de 2000. “Em termos de rentabilidade total, os investidores no índice, no pico da bolha, não atingiram o break-even durante 14 anos. Duvidamos muito que os investidores de hoje estejam a pensar em alcançar o break-even em 14 anos. Muito provavelmente, esta bolha, como todas as outras, deixará os investidores desiludidos”, avisa.

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