Numa entrevista exclusiva concedida à FundsPeople durante a Thought Leadership Summit, realizada em Paris, Fabrice Chemouny, responsável de Distribuição Internacional da Natixis Investment Managers, partilhou a sua opinião sobre as mudanças que estão a transformar a indústria da gestão de ativos, a abordagem multi-boutique da gestora como uma resposta eficaz aos atuais desafios da indústria e o aparecimento de ETF ativos e a procura crescente de ativos privados. Destacou a forma como a Natixis IM está a adaptar o seu modelo de distribuição para responder às necessidades dos clientes num ambiente de investimento em constante evolução. Fabrice Chemouny insistiu que a prioridade é a relevância e não a escala: “Construímos um modelo não para sermos os maiores, mas os mais relevantes”, sublinhou.
Com 15 gestoras afiliados e uma arquitetura concebida para oferecer especialização, a Natixis IM optou por um modelo baseado na flexibilidade e na elevada convicção. Longe de competir em termos de volume, o seu objetivo é ser capaz de responder à evolução das necessidades dos investidores. "Temos a vantagem de poder oferecer sempre algo relevante. Em 2024, eram os produtos de obrigações e de retorno absoluto; hoje, assistimos a uma maior procura de estratégias value", explica Fabrice Chemouny.
A entidade aproveitou esta abordagem modular para adaptar a sua oferta ao longo do tempo. Enquanto a Loomis Sayles e a DNCA lideraram as vendas em obrigações no ano passado, é agora a Harris Oakmark, a sua gestora especializada em value, que se posiciona face a um novo interesse em setores como a banca. "A chave é manter uma rede eficiente e responder com precisão a todas as necessidades dos clientes", acrescentou.
Transferência de riqueza e alteração das preferências de investimento
Uma das grandes mudanças que o setor enfrenta é a transferência de riqueza da geração dos baby boomers para os investidores mais jovens. Fabrice Chemouny reconheceu que esta mudança demográfica está a transformar as preferências de investimento, especialmente em termos de utilização de canais digitais e de estruturas de produtos. "As novas gerações têm uma forma diferente de abordar a gestão de ativos. Procuram mais flexibilidade, mais transparência e acesso a produtos inovadores", explicou.
Embora os fundos cotados (ETF) tenham atraído volumes significativos de investimento, Fabrice Chemouny sublinhou que a Natixis IM continua empenhada na gestão ativa baseada em convicções. Ao contrário de muitos gestores, a entidade não se dedica à gestão passiva, embora reconheça a necessidade de se adaptar à procura através do lançamento de ETF ativos. "Um ETF é apenas um invólucro. O que é importante é o que está lá dentro. Não estamos a mudar o nosso modelo, mas reconhecemos que precisamos de oferecer ETF ativos que estejam em sintonia com as nossas estratégias de gestão de elevada convicção", afirmou.
Segundo Fabrice Chemouny, no segundo semestre do ano, a Natixis IM irá alargar pela primeira vez a sua gama de ETF ativos com base nas estratégias das suas gestoras associadas. Esta medida representa uma expansão significativa da oferta da empresa, sem abandonar a sua ênfase na gestão ativa.
Ativos privados: acesso a um leque mais vasto de investidores
Outro dos eixos estratégicos destacado por Fabrice Chemouny é a crescente procura de ativos privados, especialmente na área da gestão de patrimónios. "Os ativos privados costumavam estar reservados aos investidores institucionais, mas agora os clientes da banca privada e o segmento de retalho querem ter acesso a eles", afirmou.
Em resposta a esta procura, a Natixis IM já lançou dois produtos de investimento em ativos privados:
- Um fundo de capital privado em França, desenvolvido em conjunto com a Flexstone Partners.
- Navigator, um produto de investimento privado multiativos em Espanha que inclui private equity, dívida privada e imobiliário.
De acordo com Fabrice Chemouny, isto é apenas o início. A entidade está também a explorar a tokenização como forma de melhorar a liquidez dos ativos privados, embora ainda não tenha tomado uma decisão final sobre a sua implementação: "Não queremos seguir tendências. Queremos concentrar-nos no que os clientes realmente precisam", afirmou.
Comissões, tecnologia e consolidação
Um dos maiores desafios da gestão de ativos é a pressão no sentido da redução das comissões. Fabrice Chemouny reconhece que muitos investidores não distinguem adequadamente os custos da gestão passiva dos custos da gestão ativa, o que acelerou a redução das comissões em todo o setor. "Não se pode esperar pagar preços de gestão passiva por uma estratégia ativa. A gestão ativa exige análise, conhecimentos especializados e infraestruturas. Tudo isto tem um custo", explica.
Apesar disso, a tendência para a redução das comissões é irreversível, o que está a conduzir a uma grande consolidação no setor. Embora Fabrice Chemouny tenha evitado falar de potenciais fusões, deu a entender que as gestoras têm de atingir uma escala suficiente para se manterem competitivas num ambiente de margens em declínio. "Os custos de funcionamento continuam a ser elevados e, se as comissões continuarem a baixar, as gestoras têm de encontrar formas de os compensar. É por isso que o setor está a evoluir e a consolidar-se", explica.
Em suma, a Natixis Investment Managers está a adaptar-se a mudanças profundas no comportamento dos investidores, impulsionadas pela mudança geracional, pela evolução dos produtos e pela inovação tecnológica.
- A entidade está empenhada em ETF ativos como forma de oferecer as suas estratégias de elevada convicção num formato mais flexível.
- Está a expandir o acesso a ativos privados, respondendo à crescente procura por parte de investidores individuais.
- O seu modelo multi-boutique permite-lhe alternar entre classes de ativos em função das condições de mercado.
- Reconhece os desafios da pressão sobre as comissões e da consolidação, reforçando a importância de atingir uma escala ótima.
"No final do dia, o nosso trabalho é simples: temos de ouvir os clientes e oferecer-lhes as soluções corretas, e não apenas seguir as tendências", resumiu Fabrice Chemouny.

