Filipe Silva (Carregosa): “Continuaremos a ter taxas negativas, pelo menos até termos sinais de crescimento na economia real”

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Créditos: Francois Le Nguyen (Unsplash)

Depois de uma emissão de dívida a longo-prazo que refletiu algumas mudanças nas expetativas dos investidores, a emissão de bilhetes do tesouro desta quarta-feira veio demonstrar que no curto prazo pouco mudou. Portugal emitiu 1.500 milhões de euros em dívida, repartida em 500 milhões de euros em bilhetes do tesouro a seis meses e 1.000 milhões de euros a 12 meses. No leilão a 6 meses, a taxa foi de -0,552% o que compara com -0,554% de janeiro e no leilão a 12 meses, a taxa foi de -0,527% o que compara com -0,522% de janeiro. 

Curto VS  longo prazo

“As yields da dívida soberana de curto prazo mantêm-se estáveis e em terreno negativo. O suporte que o BCE continua a dar é fundamental para manter os níveis atuais e uma subida das taxas iria agravar ainda mais a recuperação económica europeia, que continua a um ritmo muito baixo. Os confinamentos que vão surgindo em cada país não ajudam e só atrasam este processo. Continuaremos a ter taxas negativas, pelo menos até termos sinais de crescimento na economia real e só nesta fase do ciclo económico é que se poderá começar a falar num alívio das medidas de apoio por parte dos bancos centrais”, comenta Filipe Silva, diretor de investimentos do Banco Carregosa

A mais longo prazo, no entanto, temos observado um crescimento das taxas de juro negociadas na Europa e nos Estados Unidos, como  assinalava Pedro Silveira Assis, managing partner da Baluarte no Chart of the Week da semana passada.

O profissional comentava o potencial impacto que uma mudança das expetativas de inflação e das taxas de juro e yields poderá ter nas diversas classes de ativos. “Obrigações do tesouro de países com baixo risco de crédito são negativamente afetadas pela subida de taxas, sem serem materialmente beneficiadas pela melhoria das condições económicas. No outro extremo, as ações também são negativamente afetadas pela subida de taxas, mas são beneficiadas pela recuperação da expetativa de resultados. O comportamento futuro deste segmento do mercado nos próximos meses será o resultado da manutenção, ou não, deste delicado equilíbrio”, explicava o profissional.

No entanto, embora o aumento da inflação seja um risco a ter em conta, sobretudo sabendo o que está por detrás das fortes quedas que se têm verificado nas últimas semanas no mercado obrigacionista, são mais os que acreditam que esta recuperação será temporária devido aos preços das commodities. Tradução: por enquanto, não deve representar uma ameaça às políticas acomodatícias. “Para levar a cabo uma retirada dos estímulos, os bancos centrais devem estar convencidos de que não atuará como um travão ao crescimento económico. Caso contrário, deverão mantê-lo”, afirmava Adrien Pichoud, responsável pelas estratégias multiativos da Oyster (iM Global Partners) no contexto de um recente artigo publicado na FundsPeople.