Fundos PPR captam 40% das subscrições líquidas desde o começo do ano

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José_Eduardo, Flickr, Creative Commons

O comportamento dos investidores, principalmente ao longo deste ano, reflete as condições de incerteza que ainda vivemos, que, por conseguinte, levam os investidores a estarem ainda prudentes em relação à evolução da economia e ao comportamento dos mercados. Através dos dados sobre fluxos de entrada e saída dos fundos de investimento mobiliário, divulgados pela Associação Portuguesa de Fundos de Investimentos, Pensões e Patrimónios (APFIPP)  com referência ao mês de outubro – e que podemos observar na tabela abaixo – permitem-nos retirar algumas ilações quanto à atitude dos investidores em tempos de pandemia, tanto desde o início do ano, como no mês de outubro isoladamente.

Com referência a dados que vão desde 31 de dezembro de 2019 até ao final de outubro passado, verifica-se que os produtos cujo saldo entre subscrições e resgates foi mais robusto foram os fundos PPR. As subscrições líquidas destes produtos totalizaram 300,1 milhões de euros, o que espelha a elevada afluência que este tipo de investimento – fiscalmente mais atrativo – tem tipo por parte dos investidores. 

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O segundo tipo de investimento com mais elevado montante de subscrições líquidas desde o início do ano, foi o dos fundos multiativos defensivos, sendo que estes produtos somaram 206 milhões de euros em subscrições líquidas. Recentemente, num encontro promovido pela FundsPeople, no contexto do projeto Insights Portugal, Ramón Carrasco, responsável de vendas da Carmignac comentava sobre os produtos multiativos em geral que “o interesse por fundos multiativos cresceu muito durante este ano. Tendo em mente aquilo que se passou em 2020 – muita volatilidade que acreditamos que vai continuar por mais 5 a 12 meses – pensamos que os clientes dos fundos multiativos vão permanecer”.

Por último, mas não menos importante, os fundos de obrigações euro continuam desde o final do ano passado a captar um elevado montante de investimento por parte dos investidores, de tal forma, que esta categoria de produtos totalizou 161 milhões de euros de subscrições líquidas.

Referente ao mês de outubro deste ano, os três principais produtos que registaram subscrições líquidas negativas foram os fundos de ações da UE, Suíça e Noruega, os fundos de obrigações internacionais e os fundos multiativos agressivos, como visível na tabela acima.

Por outro lado, ainda no que diz respeito a este mês, as três categorias de produtos que mais captaram, por ordem decrescente de montante, foram os fundos de curto prazo euro, que têm vindo a ser um tipo produto a captar cada vez fluxos desde setembro do ano passado, seguindo-se os fundos multiativos defensivos e, por fim, os fundos PPR.

Também no âmbito do projeto Insights Portugal, sobre o sucesso do formato PPR, Carlos Pinto, selecionador e gestor na Optimize Investment Partners contava que “o atual contexto veio forçar os investidores a olharem para alternativas de investimento mais diversificadas e essa diversificação, a mitigação do risco e a flexibilidade são providenciados por estes produtos. Em geral, acredito que os multiativos vão continuar a crescer, mas os PPR pela sua componente fiscal terão um boost acrescido”.