Global Fund Manager Survey: gestores regressam ao setor tecnológico e mostram um otimismo económico não visto há cinco meses

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Créditos: Robynne Hu (Unsplash)

O apetite pelo risco regressou em força aos mercados globais. É o que revela a última edição do Global Fund Manager Survey (FMS) do BofA Securities. Com a participação de 211 gestores que representam 504 mil milhões de dólares em ativos sob gestão, o relatório assinala o maior otimismo desde fevereiro, impulsionado por um aumento notável nas expetativas de lucros, uma postura amplamente negativa em relação ao dólar norte-americano e, sobretudo, uma alocação recorde a ações tecnológicas.

O inquérito mostra que a tecnologia deixou de ser um setor defensivo para voltar a ser um de alta convicção. A sobreponderação do setor passou de -1% em junho para 14% em julho, marcando o maior salto na alocação setorial em três meses desde março de 2009. Esta mudança de postura surge num contexto em que 42% dos gestores considera que a inteligência artificial já está a melhorar a produtividade, enquanto apenas 21% espera esses lucros em 2026. Além disso, os investidores também mantêm posições longas em nomes associados a esse universo tecnológico, como as Sete Magníficas (26%).

A Europa acompanha o rally, o dólar perde força

Em termos de alocação geográfica, o relatório destaca um forte posicionamento em ações da zona euro, onde a percentagem líquida de sobreponderação atingiu os 41%, o seu nível mais alto em quatro anos. Do mesmo modo, a exposição ao euro subiu para o ponto mais alto desde janeiro de 2005.

Por outro lado, o dólar norte-americano é atualmente a operação mais negociada segundo o inquérito, com 34% dos gestores curtos. No entanto, a intenção de cobertura contra uma maior fraqueza do dólar caiu para 33%, face aos 39% do mês anterior, o que sugere uma confiança crescente na continuidade desta tendência. Em contraste, os ativos considerados mais subponderados incluem energia, ações de consumo básico e o próprio dólar.

Os gestores inquiridos projetam uma aterragem suave da economia global (65%) e uma queda acentuada nas expetativas de recessão: apenas 9% prevê uma aterragem forçada, face aos 42% que a considerava possível em abril. Esta mudança drástica reflete a maior inversão de sentimento económico desde meados de 2020.

Riscos latentes: guerra comercial e política monetária

Apesar do otimismo generalizado, persistem riscos importantes. A possibilidade de uma guerra comercial global mantém-se como o maior tail risk, assinalado por 38% dos inquiridos. Preocupa também que uma inflação persistente atrase os cortes de taxas por parte da Fed, embora 81% antecipe uma ou duas reduções antes do final do ano

No plano político, aumentam as expetativas de um novo presidente para a Fed, com Scott Bessent a liderar as apostas (26%), seguido por Kevin Warsh (17%) e Christopher Waller (14%).

Embora o sentimento tenha claramente mudado para otimista, o BofA adverte que a ganância é “mais difícil de reverter do que o medo”. Para já, o cenário mais provável parece ser uma rotação de ativos e estratégias de cobertura, mais do que uma saída massiva do risco. A atenção centra-se agora em como evoluirão os lucros empresariais no segundo semestre e se a Fed conseguirá encontrar o equilíbrio delicado entre crescimento, inflação e estabilidade financeira.