Inflação e taxas de juro: como se influenciam mutuamente?

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Créditos: Sean Robertson (Unsplash)

2023 começou da mesma forma que 2022 terminou, com subidas das taxas de juro por parte da Reserva Federal e do BCE. A escalada da inflação que marcou 2022, em que a zona euro terminou com um aumento dos preços de 9,2%, parece ter atingido o seu máximo (em janeiro foi de 8,5%). Os bancos centrais analisam este fator para continuar a definir a sua política monetária. Qual é a relação entre taxas de juro e inflação? Analisamo-la neste artigo. 

Fonte: Eurostat

As mensagens dos bancos centrais

Na reunião de julho, a Reserva Federal aumentou as taxas em mais 25 pontos base em julho. O objetivo para as taxas está agora entre 5,25% e 5,50%, o nível mais alto em 22 anos.

Deste lado do Atlântico, o caminho da política monetária mais restritiva continua já que o Banco Central Europeu realizou uma nova subida das taxas de juro de 25 pontos base. O BCE sela, assim, o ciclo de ajuste monetário mais agressivo da sua história.

Contudo, o trabalho dos bancos centrais foca-se essencialmente na estabilidade de preços e a estabilidade financeira. Embora se tenha debatido muito sobre o papel dos bancos centrais para controlar os preços dos ativos e na prevenção de novas bolhas, focámo-nos no princípio em que trabalham e no qual baseiam a sua política económica: a estabilidade dos preços. Descrevemos a relação que existe entre a fixação das taxas de juro e a inflação e o seu impacto na economia real.

A importância da estabilidade de preços

Por que é que a política monetária se deve centrar na estabilidade de preços? A importância da estabilidade dos preços reside no facto de que esta aumenta o potencial de crescimento económico e, por conseguinte, favorece um maior nível de vida. E, também, influencia fatores como a transparência de preços relativos e a redução dos prémios de risco de inflação das taxas de juro. Além disso, evita as desnecessárias atividades de cobertura e reduz as distorções dos sistemas tributários e de segurança social. Sem esquecer que também contribui para a estabilidade financeira e aumenta as vantagens de manter liquidez. Em última instância, ao manterem a estabilidade dos preços, os bancos centrais contribuem para alcançar objetivos económicos mais amplos.

Não obstante, a estabilidade de preços não significa inflação a 0%, o BCE, por exemplo, fixa o seu objetivo de inflação, e o que pretende é a estabilidade preços, próximo dos 2% a médio prazo. 

Como estão relacionadas a inflação e as taxas de juro?

A relação de causa e efeito que liga as decisões de política monetária ao nível de preços começa com uma alteração das taxas de juro oficiais fixadas pelos vários bancos centrais para as suas próprias operações de financiamento das entidades de crédito. 

Esta alteração das taxas de juro oficiais afeta diretamente as taxas de juro do mercado, influenciando as expetativas quanto a futuras alterações de taxas, afetando assim as decisões de poupança e investimento das famílias e empresas.

Embora seja verdade que existem outros fatores (tal como se observa no gráfico) que podem afetar a evolução dos preços em horizontes temporais mais curtos, a longo prazo os seus efeitos podem ser compensados por algum ajuste da oferta monetária. Neste sentido, os bancos centrais podem controlar as tendências dos preços ou da inflação num horizonte temporal mais amplo.

Um aspeto que garante a gestão destes organismos e que contribui para a manutenção da estabilidade dos preços a longo prazo é a credibilidade. É por isso que as mensagens enviadas pelos presidentes dos principais bancos centrais são objeto de uma auditoria por parte do mercado. A capacidade e o compromisso dos bancos centrais na hora de manter a estabilidade de preços terão um impacto na economia real no médio e longo prazo.