VIX: O índice do medo. O que é e como usá-lo?

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2021 vem carregado de esperança e muitas expectativas. Os mercados também se nutrem de expectativas que podem ser positivas ou negativas. O índice VIX, criado pela Chicago Board Options Exchance CBOE) em 1993, mede as expectativas do mercado quanto à volatilidade futura. Assim, os dados que nos oferece servem para testar a incerteza do mercado. Neste artigo vamos explicar o que é, a sua utilidade e de forma se calcula.

Contudo, para explicar o índice VIX temos de nos focar primeiro no termo volatilidade. Porque é tão importante tê-la controlada ou saber aproveitá-la? A volatilidade mede a frequência e a magnitude dos movimentos dos preços, tanto das subidas como das descidas, que experimenta um instrumento financeiro durante um certo período de tempo. Observamos que quanto mais drásticas são estas oscilações, mais volátil é o cenário que enfrentamos. Apesar de esta se poder medir a posteriori, utilizando as mudanças históricas reais dos preços, também pode ser uma forma de prever mudanças futuras se analisarmos o que está implícito nos preços das opções. É neste cenário quando faz sentido o índice VIX.

O que é o índice VIX?

O índice VIX, também conhecido como índice do medo, nasceu na década de 1990 pela mão da CBOE, uma das operadoras mais reconhecidas do mundo. É o primeiro índice de referência a medir as expectativas do mercado para a volatilidade futura. Para fazer isso, o índice VIX baseia-se nas opções do índice S&P 500®. Enfrentamos uma correlação negativa com o índice de referência, neste caso o S&P 500. Se subir, o índice VIX cai, e vice-versa. Essa assimetria e correlação negativa quase perfeita torna-o especialmente interessante na tomada de decisões de investimento.

Como se calcula?

Este índice estima a volatilidade esperada agregando os preços ponderados de opções de compra e venda do índice S&P 500 (SPX℠) numa ampla gama de preços definidos. Por outras palavras, é uma média ponderada da volatilidade implícita de um cesto de opções de 30 dias no S&P 500. Diríamos que esta definição seria a versão simples, a sua metodologia exata é bastante complexa e está detalhada no site da CBOE.

Como se utiliza?

E a pergunta para um milhão: realmente para que se usa este índice do medo? Com o índice VIX estamos perante um barómetro que mede a incerteza do mercado e proporciona aos investidores uma medição da volatilidade constante, prevista para 30 dias, do mercado. Estamos perante um indicador de risco. No caso do índice VIX refletirá a temperatura do mercado americano. Mas este índice também tem as suas réplicas noutros mercados. Se falarmos do mercado europeu, denomina-se VSTOXX. Também se usa a mesma metodologia VIX para outros ativos como obrigações e divisas.

Assim, dispor de uma ampla gama de índices VIX proporciona aos investidores e a todos os que participam do mercado um amplo conjunto de ferramentas para avaliar o que está atualmente implícito na volatilidade implícita. Por outras palavras, proporciona indicadores mais claros do que o mercado está a prever sobre o futuro a volatilidade realizada.

Melhores momentos do índice VIX

No ano passado, concretamente a 17 de março o índice VIX chegou a um novo máximo histórico fechando nos 82,69 pontos. Estes níveis não se viam desde a crise das subprime onde em novembro de 2008 superou os 80 pontos. Se nos fixarmos no gráfico podem-se observar outros momentos nos quais os mercados apresentavam volatilidade devido a acontecimentos como a crise da dívida em 2012 ou a bolha das ponto.com no início dos anos 2000.

Fonte: CBOE.COM – 30-12-2020

Pode-se investir em volatilidade?

Em suma, se pensarmos em investir em volatilidade replicando o índice VIX podemos já desfazer a ideia de que se pode investir diretamente nela. A forma mais fácil para investir em volatilidade é através dos seus derivados, futuros e opções. Pode-se utilizar estratégias de volatilidade com opções; variance swaps ou derivados do VIX (VSTOXX).