Bruno Minoya Perez (Banco Carregosa): “Se tivermos a inteligência artificial a trabalhar para nós, teremos mais tempo para dedicar ao cliente e acompanhar a relação”
A inteligência artificial tem sido um dos principais temas de debate da nossa sociedade, do ponto de vista quer dos seus benefícios, quer dos seus perigos. E a indústria de investimentos não foge à regra. Com a capacidade de moldar qualquer negócio, no segmento de banca privada, que oportunidades se podem aproveitar e que desafios se impõem?
Considerando que a relação com o cliente é de extrema importância nesta área, e tendo em conta a necessidade de adaptação aos novos investidores, estas novas tecnologias fazem, entre outras coisas, “com que o private banker consiga entender a linguagem cada vez mais sofisticada das novas gerações”, relata Bruno Minoya Perez. Apesar de não considerar que a IA é capaz de substituir a relação humana, afirma que é “uma ferramenta de apoio que tem de ser desenvolvida e que deve estar integrada nas soluções de private banking”.
Os novos investidores e a IA como ferramenta de apoio
Olhando agora para os novos investidores, o diretor de Banca Privada do Banco Carregosa é da opinião que "os millennials têm menos paciência, são menos tolerantes e querem respostas prontas, e, portanto, a disponibilidade é muito importante". E aqui, afirma, a IA também pode ser relevante: “Se tivermos a inteligência artificial a trabalhar para nós como um apoio da nossa atividade, teremos mais tempo para dedicar ao cliente e acompanhar a relação”.
Além disso, na opinião do profissional, o facto de as novas gerações serem mais informadas e com acesso mais fácil à informação faz com que, além da importância da relação, esteja também a avaliação que farão do benefício que tiram do serviço. “Os millennials têm que percecionar o value for the money”. No seu entender, “as novas gerações têm uma consciencialização e uma familiaridade com os mercados financeiros muito maior do que as gerações anteriores”, e, “portanto, estão menos dependentes do conselheiro financeiro”.
Cientes de que os millennials serão a geração vindoura que mais vai herdar património nos próximos anos, os participantes do primeiro Think Tank BNY Investments acreditam que estes clientes poderão ser capazes de valorizar, por exemplo, o pagamento de aconselhamento financeiro independente. “Se pensarmos nas novas gerações, podemos concluir que estas poderão estar mais predispostas a aceitar este tipo de serviço do que as gerações mais antigas”, acredita Bruno Minoya Perez.
Maior apetência pelo mercado obrigacionista
Segundo o profissional, os últimos tempos ficaram marcados por dois momentos: o momento prolongado de taxas de juros baixas, praticamente nulas, e, posteriormente, um outro momento, o de inversão da tendência das taxas de juros. “A partir do momento em que os bancos centrais deram início a uma subida das taxas de juro, que se mantiveram baixas e estáveis durante muito tempo, passou a existir maior apetência pelo mercado obrigacionista e, portanto, isso veio atenuar um movimento de exposição a mais risco, nomeadamente no mercado de ações, dinamizando novamente o mercado de dívida com bastante expressão, o que não acontecia há bastante tempo, em concreto posições de buy and hold”, afirma Bruno Minoya Perez.
Surge, assim, o tema dos investimentos alternativos, com o profissional a relatar que, ao longo dos últimos anos, o Banco Carregosa tem vindo a desenvolver uma oferta mais vasta neste campo, uma vez que sentem que “o compromisso que a entidade coloca nesses investimentos é imprescindível”. “Não estamos a gerir só para os outros, estamos a gerir também para nós porque temos lá o nosso capital”, acrescenta.
RIS e o investimento em mercados privados
A Retail Investment Strategy, com todos os seus ajustes, foi outro dos temas abordados no Think Tank BNY Investments. Para o profissional, o investimento em mercados privados poderá ser um bom presságio para o que a RIS, preconiza. Assim, quando se fala de mercados privados, quer sejam de private equity ou de venture capital, “já estamos a mentalizar os investidores de que os investimentos têm de ser feitos no mercado de capitais a médio e longo prazo. Obviamente que no caso dos venture capital, dos private equity e de alguns fundos imobiliários, existe a questão da liquidez”, explica.
No entanto, isto, de certa forma, já mentaliza os investidores de que é importante aguentar momentos de volatilidade, sabendo que não podem aceder à liquidez dos investimentos a qualquer momento. “Isso é um primeiro passo que vai entroncar no que preconiza a RIS, que é esta ideia de transformação de depositantes em investidores”, afirma Bruno Minoya Perez.
