Jorge Sousa Teixeira é o novo CEO da BPI Gestão de Ativos

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Jorge Sousa Teixeira. Créditos: Vítor Duarte

São 25 anos de trabalho nos mercados financeiros que ditam a experiência do novo CEO da BPI Gestão de Ativos. E o que é facto é que 20 desses 25 anos foram passados no grupo BPI, onde já assumiu diversas funções, em diversas unidades do grupo. Passou pelo banco, pela BPI Vida e Pensões e pela unidade de gestão de ativos do grupo, onde é administrador desde 2011. Nos últimos anos, tem tido sob a sua alçada a responsabilidade de desenvolver e implementar todos os temas relacionados com o Investimento Sustentável e Responsável na BPI Gestão de Ativos. Jorge Sousa Teixeira é licenciado em Economia pela Nova SBE, e onde leciona cadeiras relacionadas com a temática da sustentabilidade. É CFA Charterholder e CESGA e completou o General Management Program na Harvard Business School em 2009.

Depois de Paulo Freire de Oliveira ter estado à frente dos desígnios da BPI GA durante 8 anos e ter comandado a fase inicial de integração da entidade no grupo Caixabank, Jorge Sousa Teixeira assumiu assim, no passado mês de janeiro, os comandos da segunda maior entidade gestora de ativos nacional. Em entrevista à FundsPeople, comentou os três pilares que vão dirigir a sua liderança nos próximos três anos, pilares esses que vêm aprofundar o trabalho que vinha já a ser feito sob a anterior liderança.

Conhecer o cliente e ajudar a que ele se conheça

Uma das prioridades estratégicas passa pelo aprofundamento e melhoramento da experiência do cliente. “Há 30 anos, quando a BPI GA lançou os seus primeiros fundos, a principal dificuldade dos clientes era ter acesso aos mercados de uma forma diversificada. Num mundo como o de hoje, em que a oferta é muito abrangente, fácil e a mais baixo custo, é a experiência do investidor que se torna central. Conhecer o cliente e ajudá-lo a conhecer-se é essencial”, introduz.

Ajudar o cliente a fazer um bom planeamento da gestão do seu património em que a solução de investimento se adequa aos objetivos de vida e perfil de risco é, para o CEO da BPI GA, de extrema importância. Isto, especialmente, num contexto em que a inflação ocupa os títulos dos jornais e cresce a consciência da necessidade de investir para ultrapassar a perda de poder de compra.  “Neste caminho, a literacia financeira é muito importante. Nós, como entidade gestora, não conseguimos chegar às centenas de milhares de clientes do grupo, mas concentramos os nossos esforços junto do distribuidor onde ganhamos escala e alcance”, explica.

Os resultados têm sido evidentes, como conta. “Vemos cada vez menos clientes a correr atrás do produto com melhor rentabilidade no ano anterior ou do tema que está mais na moda. Vemo-los cada vez mais a abraçar soluções de investimento que se adequam ao perfil de risco e às suas preferências, incluindo em termos de sustentabilidade. Isto denota já uma literacia financeira mais fina”.

Organização e recursos tecnológicos

O segundo pilar ou prioridade estratégica passa pela transformação organizativa e tecnológica da entidade. “Olhando para o futuro não podemos achar que vamos conseguir gerir uma empresa de gestão de ativos e melhorar a relação com o cliente da mesma forma que o fazíamos no passado. Temos que ter mais canais e canais distintos para falar com os clientes. Para divulgar os produtos, para os vender e para fazer o devido acompanhamento junto do cliente. E, claro, ter as pessoas certas para fazer esse acompanhamento e gerir as carteiras. Conseguir chegar de forma adequada ao cliente exige uma boa organização e recursos tecnológicos”, expõe.

Para o CEO, mais tecnologia e melhores sistemas permitirão à entidade não só ganhar escala - “o negócio de gestão de ativos é um negócio de escala” - como também atingir os objetivos a que se propõe sob o anterior pilar. “A boa performance dos produtos resulta tanto de uma boa gestão das carteiras como da boa gestão do cliente. Se o cliente está no perfil certo, é um importante primeiro passo”, diz.

Adaptação ao ESG em toda a linha

Por fim, o terceiro pilar estratégico da BPI GA é algo que não é indiferente aos restantes pilares, sendo transversal a toda a organização: a sustentabilidade. “A experiência de um investidor nas nossas soluções vai também mudar com as preferências ESG e esse caminho tem que ser preparado”, introduz.

A vasta experiência profissional e o profundo conhecimento académico do novo CEO da BPI Gestão de Ativos na área do investimento responsável e ESG traduzir-se-ão, certamente, num grande foco nesta temática. Para o profissional, “toda a estrutura tecnológica e organizativa da empresa teve e tem de continuar a ser ajustada para se adaptar ao ESG. Estamos a falar de uma grande quantidade de informação e de informação muito díspar. Informação nova. Saber comunicar a informação certa com o cliente é muito importante”, diz.

O tema torna-se ainda mais relevante quando, segundo Jorge Sousa Teixeira, passámos de algo que “era aspiracional”, para algo regulatório. “Passaremos a ter standards, classificações e, em determinado ponto, certificações, o que exige que se faça muito bem este caminho”.

Capacitar pessoas para responder aos desafios

Em todos estes pontos que moldarão o caminho a seguir há um recurso que, para o CEO, mais do que estratégico, é basilar: as pessoas. “Há que capacitar as pessoas para dar resposta a todos estes desafios. Dar-lhes ferramentas. Tecnológicas e de conhecimento”.

Para Jorge Sousa Teixeira, as ferramentas vão muito além de sistemas. Fala de capacitar as equipas da entidade gestora para “responder a um entorno global cada vez mais desafiante”. Segundo diz, há que aprofundar as competências de programação, data science, machine learning e inteligência artificial e, claro, dos temas de sustentabilidade. “Temos já 40% dos profissionais da empresa certificados em sustentabilidade e mais de 75%, se falarmos das equipas de investimento”, expõe.

Por outro lado, acredita que há também que dotar as pessoas de ferramentas técnicas. “Modelos de fatores, ativos digitais… Tudo o que possa assegurar que as nossas equipas acompanham a evolução do mercado, as tendências mais recentes que se esperam que venham a ser os traços dominantes na próxima década”, manifesta.

Também a diversidade é, para Jorge Sousa Teixeira, uma importante valência da BPI GA, mas que tem que ser aprofundada muito para lá dos backgrounds técnicos e académicos. “Equidade, diversidade e inclusão, são valores importantes em qualquer organização. Aqui queremos fazer um trabalho ativo junto das universidades e entidades relevantes para que os CFA Charterholders e os mestrados em finanças do futuro reflitam um maior equilíbrio de género e isso possibilite também um maior equilíbrio na nossa organização”, diz.

Por fim, o CEO quer também aprofundar a descentralização da liderança. “Temos muitos recursos internos e os nossos colaboradores têm que ser capazes e ter acesso aos meios para colaborar e alavancar-se mutuamente nas suas respetivas competências para ir ao encontro de soluções.”, conclui Jorge Sousa Teixeira.