Mitos sobre as obrigações corporativas emergentes que a COVID-19 ajudou a dissipar

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Markus Spiske, Unsplash

Para Colm McDonagh, responsável de obrigações de mercados emergentes da Insight, parte da BNY Mellon IM, as obrigações corporativas de mercados emergentes demonstraram com a crise da COVID-19 que voltam a ser as melhores alternativas em rentabilidade/risco. A nível macroeconómico, o choque no crescimento económico foi maior em países desenvolvidos do que nos emergentes. E para o especialista, essa divergência vai manter-se.

O componente-chave da resiliência dos emergentes é a China e a sua história de crescimento. Apoiado por políticas fiscais e monetárias, assim como pela resistência do seu consumo interno, o país superou melhor do que os outros a crise económica derivada da pandemia. Mas até a nível geral, o país em vias de desenvolvimento mostrou que nem sempre são o elo mais fraco. “Esta não foi uma crise de incumprimentos. De facto, os defaults foram muito mais baixos do que o esperado em março”, aponta McDonagh. E este não foi o único mito sobre os emergentes que a COVID-19 ajudou a dissipar.

1. As emitentes obrigações corporativas emergentes estão mais endividadas.

A nível puramente técnico, um dos mitos contra os quais Rodica Glavan, responsável de obrigações corporativas emergentes, continua a ter de lutar é o da maior alavancagem em obrigações corporativas emergentes. Como se pode ver no gráfico que partilham tanto nas emissões investment grade como em high yield, vemos que acontece o contrário. A alavancagem líquida em emergentes é menor do que as suas contrapartes globais. “Os emergentes entraram nesta crise muito mais saudáveis”, afirma a gestora. Durante os últimos anos as empresas destes países dedicaram esforços a limpar os seus balanços, cortando custos e recomprando dívida. É a imagem contrária à das obrigações corporativas europeias”, nota Glavan.

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A alavancagem em emergentes em 2020 será superior à do ano anterior, reconhece Glavan. Mas será uma função principal de um menor ebitda por um crescimento mais morno do que pelo facto de que a sua dívida esteja a crescer, explica.

2. Haverá uma onda de incumprimentos.

Outro dos mitos nos mercados emergentes está relacionado com os incumprimentos. Curiosamente, em 2020 o maior risco de default aconteceu em economias desenvolvidas. Assim, face à taxa de incumprimentos de 2,9% em high yield emergentes, nos Estados Unidos foi de 6%.

A isto somam-se os fatores técnicos favoráveis. A classe de ativos tem uma base investidora mais diversificada, onde 53% dos detentores de dívida corporativa emergentes são investidores locais. Claro que esse dado extrair o viés que gera o investimento na Ásia, onde 48% são investidores locais.

Para McDonagh, as valorizações no segmento são favoráveis a nível histórico e os ventos agora sopram a favor. O resultado das eleições americanas é um catalisador positivo porque vai representar uma política comercial mais estável, yields do Tesouro americano mais em queda e um dólar americano mais débil.

Atualização do BNY Mellon Emerging Markets Corporate Debt

Este cenário reflete-se no BNY Mellon Emerging Markets Corporate Debt, fundo com Selo FundsPeople 2020 pela sua classificação de Consistente, que gerem McDonagh e Glavan.

Recentemente aumentaram a sua exposição ao risco tanto no segmento de investment grade como em high yield. As obrigações corporativas investment grade vão beneficiar, na sua opinião, de yields do Tesouro americano cobertas e um valor relativo global atrativo. As de high yield vão beneficiar de um contexto de procura de rentabilidade, o que vai levar a uma compressão dos spreads entre investment grade e high yield a nível global, assim como valorizações atrativas a nível histórico.

Geograficamente, as suas maiores apostas estão na Ásia (com uma sobreponderação na China e no seu imobiliário e uma subponderação em Hong Kong), América Latina (com uma sobreponderação no México com Pemex, Bakide e Penomex e uma subponderação na Jamaica), Europa Emergente (com uma sobrepoderação na Ucrânia com a Metinvest e uma subponderação na Turquia) e Médio Oriente e África (com uma sobrepoderação nos Emirados Árabes Unidos com a DP World, Tabreed e as financeiras e uma subpodenração no Qatar).