Nick King (Fidelity): “A evolução dos modelos de distribuição contribuirá para que os ETF continuem a captar quota de mercado na Europa”

Nick King
Nick King. Créditos: Cedida (Fidelity)

A Fidelity possui uma longa trajetória em gestão ativa e é algo em que a gestora aposta firmemente. No entanto, as necessidades dos seus clientes estão a evoluir no que diz respeito às estratégias que desejam utilizar e também à forma como acedem aos seus investimentos. E, por isso, também a oferta que a entidade está a colocar à sua disposição. Prova disso é o salto que a Fidelity deu para o mundo dos ETF, veículo que vê como “uma excelente forma de oferecer acesso às nossas análises fundamentais, ESG e quantitativas de forma transparente e de baixo custo”.  

Quem o diz é Nick King, responsável de ETF na Fidelity International, que sublinha que os fundos cotados da gestora estão concebidos para oferecer exposições diferenciadas, aproveitando a sua análise e o facto de se especializarem na gestão ativa de investimentos. “Geralmente, fazemo-lo de duas formas: desenvolvendo estratégias ativas transparentes ou incorporando as nossas ideias de análise num índice”, explica numa entrevista à FundsPeople.

O seu grande trunfo

Segundo Nick King, as capacidades de análise de investimentos representam um trunfo essencial da Fidelity. “Contamos com uma vasta experiência e recursos nas nossas equipas de análise fundamental, quantitativa e de sustentabilidade. Os nossos ETF estão concebidos para aproveitar as visões que estas equipas desenvolvem”. Dá como exemplos os ETF temáticos.

“Nos fundos cotados temáticos que lançamos recentemente, a equipa de análise fundamental ajudou a determinar quais as atividades empresariais relacionadas com uma temática concreta e definiu indicadores de qualidade para reconhecer as ações adequadas dentro das que estão expostas a esse tema. A equipa de investimento sustentável identificou exclusões e filtros específicos para filtrar consequências indesejadas dos temas. Depois, recorremos aos nossos conhecimentos de análise quantitativa para incorporar tudo isto numa estratégia transparente baseada em regras”, revela. 

Ao nível de recursos, a gestora conta com uma equipa específica de especialistas que se foca na elaboração e desenvolvimento de novos ETF. São eles que, em seguida, asseguram a sua cotação de forma eficaz nas diferentes bolsas. Podem também contar com os conhecimentos de investimento de toda a organização e da Geode Capital Management, que gere mais de um bilião de dólares em ativos indexados.

Tendências

Grande parte da atividade de desenvolvimento de produtos durante os últimos anos centrou-se nos ETF sustentáveis e com foco ESG. “Estas estratégias captaram um volume considerável de ativos”, destaca. Nick King espera que esta área continue a desenvolver-se rapidamente durante os próximos meses, à medida que os emitentes de ETF respondem às novas normas e alterações a que estamos a assistir nos fornecedores de dados ESG, conforme esta área do mercado vai amadurecendo. “Isto dará aos produtos sustentáveis a oportunidade de captar mais ativos e quota de mercado”.

Num plano mais geral, os modelos de distribuição na Europa continuam a evoluir com os olhos postos nos custos e na transparência. “Isso contribuirá para que os ETF continuem a captar quota de mercado. Nos últimos meses temos assistido ao aparecimento de novos atores no mercado europeu de ETF e esta tendência encorajará a entrada de outros”, prevê.