Nova emissão de bilhetes do tesouro é reflexo da mensagem dos bancos centrais

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Portugal emitiu esta quarta-feira 1.250 milhões de euros em bilhetes do tesouro, 500 milhões de euros a 3 meses e 750 milhões de euros a 11 meses com a procura, em ambos os casos, a superar largamente a oferta. Segundo indica Filipe Silva, diretor de Investimentos do Banco Carregosa, os prémios de risco da dívida de curto prazo não têm sofrido grandes alterações, sendo que face ao último leilão comparável, as taxas "tiveram uma subida sem grande expressão" (dos -0,599% para os -0,592% a 3 meses e dos -0,558% para os -0,55% a 11 meses).

"A mensagem dos bancos centrais continua a ser o grande mote para as taxas não subirem. Na semana passada, na reunião do BCE, Chirstine Lagarde deu ao mercado as indicações que este esperava. O suporte por parte dos governos da zona euro à economia, só será retirado quando existirem sinais claros de que a recuperação económica está em andamento, fase que só agora começou. Portugal continua a beneficiar desta política acomodatícia, que tem permitido emitir divida de curto prazo com taxas negativas, importantes para a retoma económica do país", explica o especialista.

Sobre esta abordagem do BCE Jai Malhi, estratega de mercados globais na J.P. Morgan AM, concordava recentemente que o caminho seguido pelo banco central é o adequado, traçando o paralelismo com a abordagem da Fed.A narrativa principal da Fed hoje em dia é que precisa primeiro de aquecer a economia americana para que se ancore a inflação a um nível mais alto do que experimentou no último ciclo. Dado que a baixa inflação parece mais enraizada na zona euro, este imperativo é ainda maior para o BCE”, dizia.

Francisco Falcão, CIO da Hawkclaw Capital Advisors perspetiva que a política monetária acomodativa poderá estar "próximo de um ponto de inflexão e o potencial de subida dos juros é hoje mais evidente tendo em conta as expetativas inflacionistas. Assim sendo, a volatilidade poderá aumentar sem, no entanto, despertar grande preocupação dado que a economia tenderá a permanecer saudável, e os estímulos deverão ser retirados de forma gradual pelas autoridades monetárias e governamentais".