O fundo de pensões do Japão elege um índice de diversidade de género da Morningstar como referência

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A plataforma de dados da Morningstar anunciou recentemente que o fundo de pensões do Japão, o maior do mundo com 1,5 biliões de dólares em ativos sob gestão, elegeu um dos seus índices como referência. E não se trata de um índice qualquer, mas de um dos últimos que a Morningstar lançou e que se baseia na diversidade de género.

O índice em questão é o Morningstar Developed Markets Ex-Japan Gender Diversity Index da Morningstar. A sua composição baseia-se nos dados e na metodologia de pontuação da Equileap, um provedor mundial de dados e conhecimentos sobre a igualdade de género para os investidores.

Em concreto, este índice está concebido para dar a conhecer às empresas dos mercados desenvolvidos que exibem políticas e práticas sólidas de diversidade de género, aproveitando o Equileap Gender Equality Scorecard. As empresas que fazem parte deste índice ponderam-se, com um limite de 5%, de acordo com 19 critérios de igualdade de género. Entre esses critérios inclui-se o equilíbrio de género em toda a força laboral, a diferença salarial entre géneros, a licença parental remunerada e as políticas contra o assédio sexual.

O fundo de pensões do Japão une-se a uma das tendências que mais impulso tiveram nestes tempos de pandemia, já que o investimento com critérios ESG (a diversidade de género inclui-se na letra S da sigla) teve um autêntico boom neste 2020. Em concreto, segundo a Morningstar, os ativos mundiais em fundos sustentáveis alcançaram um recorde de 1,2 biliões de dólares em setembro de 2020.

De facto, o fator social do ESG é um dos que mais impulso recebeu. De facto, estes aspetos sociais dispararam nas earning calls. Em concreto, termos como comunidade, diversidade, compromisso, sociedade, empregados, gente) superaram as menções puramente empresariais (vendas, rendimentos, lucros, EBIT, margem de crescimento), segundo um estudo realizado pela NN Investment Partners.

A rentabilidade da diversidade

Não é por acaso que se demonstrou que a diversidade de género é algo que negoceia em alta nos mercados e que se torna rentável. Um recente estudo da Goldman Sachs AM que tem como título Womenomics assim o defende. Segundo os seus dados, quanto maior a presença da mulher em postos de responsabilidade, maior é o gap que separa as empresas do quartil mais alto (aquelas onde a presença da mulher nos conselhos de administração é maior) do mais baixo (onde é inferior).

“A atenção dos investidores e o setor dos fundos de investimento centra-se cada vez mais nos fatores ESG, o que significa que não melhorar a diversidade de género poderá ser prejudicial, acrescentando um prémio de risco ao preço das ações ou, diretamente, levando o investidor a não investir nela. Além disso, há o tail risk geral e a publicidade negativa que não ter uma força laboral diversa pode provocar”, apontam no estudo.