O gráfico que todos os banqueiros privados ou assessores financeiros devem mostrar aos seus clientes

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Isaac Smith - unsplash

Às vezes, uma imagem vale mais do que mil palavras. Desde há muitos anos, os banqueiros privados e assessores financeiros estão a fazer um trabalho pedagógico muito importante com os clientes, com o objetivo de os educar na cultura do investimento. Trata-se de um trabalho que não é fácil, já que é preciso dedicar tempo e esforço, mas no fim vale a pena, porque um cliente melhor informado é sempre melhor que um que não o está.

O último trimestre de 2018 foi um autêntico pesadelo para muitos banqueiros privados e assessores. E também para os seus clientes. As fortes quedas dos mercados fizeram com que muitos deles ficassem muito preocupados com a evolução dos seus investimentos. É lógico. As finanças comportamentais demonstraram que uma perda tem um impacto psicológico muito maior que um ganho, pelo que não é de estranhar que o cliente final se mostre inquieto em períodos de agitação e turbulências que golpeiem as suas carteiras.

Muitos desfizeram posições e aumentaram a sua liquidez em carteira, um processo de redução de risco que teve a sua continuidade ao longo de 2019. Os títulos que apareciam nos meios de comunicação relativos aos efeitos da guerra comercial, ao Brexit ou à inversão da curva, que em todos os casos apontam para uma iminente entrada da economia em recessão, não ajudaram a manter a calma. Tirando em bunds, não havia por onde fugir para se refugiar. Tudo a vermelho.

Doze meses depois daquele nefasto quarto trimestre, nem a economia entrou em recessão, nem a saída do Reino Unido da UE se perfila como uma ameaça séria para o crescimento económico europeu, nem a guerra comercial está em vistas de provocar um tsunami económico. E o que ainda é pior para os interesses dos que venderam há 12 meses: os mercados ofereceram rentabilidades muito positivas. Se em 2018 quase todas as categorias fecharam em negativo, tudo aponta para que em 2019 aconteça o contrário: tudo em verde.

O gráfico apresentado na jornada em Lisboa por Nadège Dufossé, responsável de Alocação de Ativos na Candriam, é muito visual. Mostra perfeitamente o que representou 2019 para todos os que decidiram sair dos mercado e também para os que foram capazes de tolerar a volatilidade e se mantiveram investidos. Os primeiros enfrentaram claramente um custo de oportunidade. Os segundos recuperaram as perdas de 2018. Manter a calma volta a dar prémio.

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Um segundo gráfico, também muito interessante, mas algo mais técnico, é o gráfico apresentado por Charles Prideaux, responsável global de investimentos da Schroders, na conferência anual com jornalistas celebrada pela entidade em Londres. Nesse gráfico pode ver-se como durante os últimos 12 meses (desde setembro de 2018 a setembro de 2019) os lucros empresariais mantiveram-se estáveis, enquanto a bolsa e os PER do mercado traçaram um caminho de ida e volta, separando-se durante o último ano para voltar juntar-se. Se há algo que historicamente conduziu os mercados, foram esses lucros empresariais.

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“A rentabilidade de uma carteira é determinada por quatro componentes: asset allocation, desvios fatoriais estratégicos, seleção de valores e market timing. Os estudos demonstraram que os primeiros determinam mais de 90% da rentabilidade a longo prazo”, recorda Aitor Jauregui, responsável da BlackRock para Portugal, Espanha e Andorra. Dito de outro modo: centrar-se melhor na alocação estratégica e eleger os produtos adequados para a implementar em vez de entrar e sair abruptamente dos investimentos tem o seu pay-off.

Tal como indica Massimo Greco, responsável da J.P.Morgan AM para a Europa Continental, a melhor estratégia para investir nos mercados passa por duas coisas que os investidores nem sempre cumprem: permanecer investido e diversificar o capital. De facto, é o conselho que dá aos seus clientes.

“Ninguém sabe quando vai acontecer uma correção. Há quatro anos que se prevê uma crise económica e de mercados... e nada disso aconteceu. Não se trata de fazer market timing. Nunca funciona. É impossível fazê-lo bem. Os investidores tendem a ter uma reação exagerada. A chave está em permanecer investido com um horizonte de longo prazo”, enfatiza. O que aconteceu este ano é uma nova lição que demonstra o quão rentável pode ser seguir este conselho.