O que dizer ao cliente quando perguntar como se comportou a sua carteira?

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Avel Chuklanov, Unsplash

Foi uma das principais preocupações de 2020. Os mercados não se moveram a par da economia. De facto, pelo contrário. Num ano de dupla crise, de saúde e económica, de recessão, as principais classes de ativos, apesar de tudo, acabaram em positivo. Mas para dar a imagem completa ao cliente, na Candriam partilham num único gráfico como fecharam 2020 as principais classes de ativos.

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Para Nadège Dufosse, responsável de multiativos da Candriam, podemos extrair duas mensagens-chave deste gráfico:

1. Que a maioria dos ativos deram rentabilidades positivas na sua divisa local. O gráfico mostra-nos que ultrapassaram (em euros) a inflação da zona euro. As únicas exceções: as ações europeias e os ativos relacionados com o crude.

Pudemos confirmá-lo ao olhar para o ranking por rentabilidade dos fundos de gestoras estrangeiras. Entre os primeiros do pódio destacaram-se estratégias centradas em ativos americanos ou de mercados emergentes. Os especializados em ações europeias ficaram para trás. E os temáticos de energia dominaram na lista, mas no fim.

2. 2020 não foi um exercício excecional. De facto, para a especialista, poderá parecer como qualquer outro ano médio remontando até 2004.

Podemos dizer que é a segunda parte de uma lição que aprendemos com 2018 e 2019. O risco de tentar fazer market timing. Após um ano tão nefasto como 2018, especialmente nos últimos três meses, a tentação do cliente foi permanecer em ativos refúgio. Mas no fecho de 2019 ficou patente o custo de renunciar ao plano de investimento por vieses emocionais. E 2020 foi outro exemplo disso. A correção de fevereiro-março pode espantar. A pergunta é: voltaram a tempo de capturar a recuperação?

Não obstante, esse gráfico esconde outra conclusão muito importante, na opinião de Dufosse: “O mais inesperado de 2020 é a gap cada vez maior entre vencedores e vencidos”. Alguns países e alguns setores saíram definitivamente por cima enquanto outros se viram mais afetados pela falta de governance ou porque concentraram a população e os setores mais vulneráveis ao vírus e as suas consequências: mão de obra não classificada, empresas mais pequenas, em manufaturas, turismo, lazer, atividades de retalho.

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Na foto final também é preciso limar algumas nuances. Podemos vê-lo melhor no gráfico do Guide to the Markets da J.P.Morgan AM. “Em novembro tocámos num ponto de inflexão”, conta Lucía Guitiérrez-Mellado, diretora de estratégia da J.P.Morgan AM para Portugal e Espanha. “Produziu-se uma rotação de estilos que não víamos há anos”. Esta mudança de tendência concentrou-se nas áreas de mercado que ficaram para trás. Em estilos como o value, setores mais cíclicos, que se revalorizaram fortemente no último trimestre. Até as small caps e as matérias-primas recuperaram muito do terreno perdido. “Isto ajudou a que muitos índices terminassem em positivo”, explica Lucía Guitiérrez-Mellado.