O que influencia um rating ESG?

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O investimento com base em critérios sociais disparou. Mas a espinha dorsal da análise ESG continua a ser as classificações de terceiros. Mas, o que influencia um rating ESG? Como se traduz a vasta quantidade de informações em bruto numa classificação que influenciará as decisões de investimento de um gestor de fundos? Dois dos principais provedores de ratings, a Sustainalytics e a MSCI, apresentaram o seu ponto de vista na última Candriam Academy.

Tal como realçou Aurélie Ratte, diretora de Análise ESG da MSCI, ter os dado é apenas a primeira batalha. “Essa é a parte fácil. O mais difícil é interpretá-los”. Neste ponto também coincide Simon MacMahon, responsável de Análise ESG da Sustainalytics. É um processo:

1. Encontrar e transformar o input dos dados em bruto para criar os dados ESG;

2. Analisar o significado desses dados ESG para os tornar em valorizações ESG;

3. Exprimir as primeiras valorizações ESG em sinais de nível superior, como as pontuações ESG.

4. Elaborar modelos complexos que tenham em conta múltiplos fatores ESG para criar um rating ESG final.

Uma das palavras mais repetidas pelos especialistas é o conceito de impacto. É um dos elementos cruciais na preparação de um rating. Quais dos fatores ESG que têm potencial para causar impacto numa empresa e em que percentagem. “Temos em consideração apenas os fatores mais relevantes para uma empresa específica”, aponta Ratte. E isso depende do setor e da indústria em que atuam. Dito isso, na MSCI a governance é uma questão analisada para todas as empresas classificadas.

Ponto-chave: entender o que se está a medir

Porém, um rating não é uma avaliação estanque. Na Sustainalytics, realizam o que chamam de “ajustes beta”. Por exemplo, têm em consideração o histórico de controvérsias de uma empresa. Ou o país onde operam. O risco de uma exploração mineira no Canadá não é o mesmo do que uma no Brasil. “Há um certo grau de influência da experiência do analista que é invocada quando os dados não são fáceis de alcançar”, conta MacMahon.

Apesar de partir dos mesmos dados brutos sobre fatores de sustentabilidade, o resultado final do rating pode variar (e muito) entre um provedor ou outro. Algo que não preocupa os especialistas. “As classificações ESG são uma referência”, insiste Ratte. “Podemos pensar nisto como quando reservamos um hotel. Haverá um ou outro que se adequa melhor ao que procuramos”, propõe a especialista.

Similarmente, MacMahon refere que “nem todos os ratings ESG tentam medir a mesma coisa.” Existem alguns que o abordam da perspetiva do impacto, enquanto outros o abordam do ponto de vista do risco. “Os utilizadores destas classificações devem entender o que estão a medir”, insiste.